Senado brasileiro continuou a discutir sobre a corrupção durante o governo Lula, nesta terça-feira

Origem: Wikinotícias, a fonte de notícias livre.
Saltar para a navegação Saltar para a pesquisa

8 de junho de 2005

Brasil


A principal discussão no Senado Federal brasileiro ontem, terça-feira, foi ainda as denúncias de corrupção durante o governo do Presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva.

A Senadora Heloísa Helena do partido de esquerda e de oposição PSOL disse que sente tristeza ao ver o governo do Partido dos Trabalhadores (PT) usar o "mesmo balcão de negócios condenados por eles mesmos durante o governo de Fernando Henrique". Ela disse que "sente vontade de rir" por causa da mudança de atitude do governo e do PT no que diz respeito à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Correios. A senadora chamou a atitude dos senadores do PT de "oportunista" e disse que "eles não têm autoridade moral uma vez que na semana passada diziam que não se podia criar a CPI, mas agora apóiam". Ela chamou de "farsa as reformas que o governo propõe" para acabar com a corrupção. A senadora defendeu a criação da CPI do "mensalão" para apurar a denúncia de compra de votos de deputados pelo governo e a quebra de sigilo fiscal, bancário e telefônico por parte de todos os deputados e senadores.

O senador Tasso Jereissati disse que a "praga da corrupção está sistematizada" dentro do governo e que, apesar de sempre ter sido adversário do PT, "não esperava ter uma decepção tão profunda". O senador disse que o governo vinha a evitar a realização de qualquer investigação sobre denúncia de corrupção, mesmo as de pequena importância.

O Senador Antonio Carlos Magalhães (PFL) perguntou: Por que Lula foi avisado sobre o ‘mensalão’ e não tomou providências? O deputado Miro Teixeira e o governador Marconi Perillo também avisaram o presidente e ele continuou sem fazer nada? Após lembrar a intervenção do Senador Marcelo Crivella que disse que Lula não tinha culpa, Antonio Carlos Magalhães perguntou:No entanto, quem começou tudo? Será que essas nomeações caíram do céu? O presidente não assinou nada? Em dois anos e meio de governo, ele não viu nada de errado?

O Senador Demostenes Torres (PFL) fez mais uma vez um duro discurso contra o governo. Ele chegou a dizer que o problema só será resolvido se o Vice-Presidente José Alencar assumir. Ele leu documentos antigos do PT que incluíam sugestões para combater a corrupção e comparou o conteúdo dos documentos com a situação vigente. Ele também avisou que vai enviar requerimento à Comissão de Serviços de Infra-Estrutura para convocar o secretário de Comunicação e Gestão Estratégica, Luiz Gushiken (PT) para prestar esclarecimento sobre uma denúncia publicada ontem no jornal O Estado de São Paulo. Gushiken é acusado pelo jornal de criar falsas transportadoras de gás natural para a subsidiária da Petrobras, Gaspetro, e colocar apadrinhados políticos na direção dessas empresas.

O Senador do PT Eduardo Suplicy disse que o tesoureiro do PT, Delúbio Soares, acusado de pagar propinas aos deputados, deve ser afastado do cargo, enquanto perdurarem as investigações das denúncias do deputado Roberto Jefferson. Ele também disse: "A melhor pessoa para esclarecer isso, em nome do partido e do presidente Lula, é o senhor Delúbio."

O Senador Efraim Morais (PFL) disse que o "o governo federal traiu a confiança de seus eleitores". "O PT se elegeu vendendo a vitória da esperança sobre o medo, mas vem frustrando as expectativas que criou", acrescentou. Efraim também disse: Digamos que o governo do presidente Lula seja fundamentalmente honesto, e que a corrupção ocorra pelas margens. Ora, se em tão pouco tempo foi possível montar esses esquemas sem que o governo se desse conta disso, então estamos diante de uma incompetência sem igual. Mas, se supusermos que o governo do PT não é honesto, então estamos diante de um quadro cuja gravidade nem ouso caracterizar.

Alguns senadores do PT defenderam o governo. Um dos maiores defensores foi o Senador Aloízio Mercadante. Ele acusou o governo do estado de São Paulo, do governador Geraldo Alckmin do PSDB, de irregularidades. As acusações foram depois desmentidas pelos senadores do PSDB que ainda criticaram o PT pelo fato de "estar levianamente acusando aqueles que estão procurando ajudar", dentro de um quadro político grave, procurando punir somente os responsáveis.

Alguns senadores do PT disseram que a crescente discussão de corrupção nos jornais, e as prisões feitas pela Polícia Federal mostram que o país evoluiu. O Senador Paulo Paim elogiou a atitude do partido em apoiar a realização da CPI e disse que as investigações devem ocorrer, "doam a quem doer".

Ver também

Fontes