Rebeldes tuaregues declaram independência de Azawad, no Mali, mas é rejeitada internacionalmente

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6 de abril de 2012

Azawad, Mali — O líder rebelde do Movimento Nacional de Libertação de Azawad (MNLA), importante componente da rebelião tuaregue no norte e nordeste do Mali, Mossa Ag Attaher, anunciou hoje, através do canal de TV France 24, "a independência de Azawad", vasta região do norte e nordeste do país.

Proclamamos solenemente a independência do Azawad a partir de hoje. [O novo país se compromete a respeitar] as fronteiras [que separam o Estado Azawad] dos países limítrofes. Assumimos completamente o papel que nos incumbe para dar segurança a esses territórios. Temos uma cultura milenar de tolerância [de] não impor a ninguém nenhuma religião (...) e vamos seguir assim.

Mossa Ag Attaher

A região auto-proclamado Azawad, tem área semelhante à França e Bélgica juntas e que ocupa mais da metade do Mali, é considerada como o berço natural dos tuaregues.

Reações[editar]

Mali[editar]

O líder militar do grupo islamista Ansar Din que tomou a cidade de Timbuktu, Omar Hamaha, declarou em francês de uniforme militar, aclamado pela multidão, segundo imagens filmadas nos dias 2 e 3 de abril em Timbuktu, afirmou que é contrário à possível independência da região e que luta "pelo islã":

Nossa guerra é uma guerra santa, uma guerra legal, em nome do islã. Somos contrários às rebeliões. Somos contra as independências. Somos contrários a todas as revoluções que não sejam em nome do islã. Viemos para praticar o islã, em nome de Alá. O que queremos não é Azawad. É o Islã! É o Islã! A independência é o Islã. Esta é a verdadeira independência. É a prática da sharia [lei islâmica], do nascer ao pôr do sol. Nosso combate é em nome do islã. Não é árabe ou tuaregue, branco ou preto. É em nome do Islã.

Omar Hamaha

A divulgação da polêmica declaração, coincide no mesmo dia da independência de Azawad em relação ao Mali, feita pelos separatistas laicos tuaregues, que não tem nenhum interesse em impor a sharia (a "lei islâmica" em árabe, praticada por radicais islâmicos e países), pois tiveram tolerância por quase dois milênios, povos de religião animista, cristã, judeus e islâmica.

Internacional[editar]

As reações internacionais foram imediatas com rejeição do novo país do mundo.

A porta-voz da representante da diplomacia União Europeia (UE), Catherine Ashton, disse que a UE "rejeita qualquer desafio à integridade territorial do Mali" e Maja Kocijancic, outra representante da UE disse: "A União Europeia pronunciou-se claramente depois do início da crise a favor da integridade territorial do Mali. Enquanto a ordem constitucional não for restaurada, nenhuma solução poderá ser encontrada. A União Europeia apoia todos os esforços realizados pela Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) para resolver essa crise e continuar a enviar ajuda humanitária para apoiar as comunidades carentes.", acrescentou.

O presidente da Comissão da União Africana (UA), Jean Ping, afirmou em nota, que a União Africana rejeita "totalmente" a declaração de independência, considerando-a "nula e sem valor". A organização "condenou firmemente o anúncio, que é nulo e sem valor" e apela à comunidade internacional para "apoiar plenamente esta posição de princípio de África".

O ministro da Defesa da França, Gérard Longuet, numa conferência de imprensa, declarou que o governo francês não reconhece a declaração, sob alegação de "não faz sentido" o reconhecimento, pois o país defende que uma "declaração de independência unilateral" do norte do Mali "não faz sentido" se não for reconhecida pelos Estados africanos: "Uma declaração de independência unilateral que não seja reconhecida pelos Estados africanos não faz sentido.", disse. Antes, já na terça-feira (3), o chefe da diplomacia francesa, Alain Juppé, mostrou a oposição da França à reivindicação independentista do MNLA: "Isso não é aceitável para nós, que estamos muito comprometidos com a integridade territorial do Mali", sublinhou.

O primeiro-ministro da Argélia, Ahmed Ouyahia, em entrevista ao jornal francês Le Monde, que o governo não vai aceitar a possível declaração de independência, pois "não aceitará jamais que seja posta em causa a integridade territorial do Mali" e propõe o "diálogo" para regular a crise que atinge o seu vizinho a sul, que é contra intervenção estrangeira: "Somos a favor de uma solução que passe pelo diálogo [e que a] situação é muito, muito preocupante. (...) A Argélia exige o restabelecimento da ordem constitucional no Mali. O CEMOC [que agrupa os Estados-maiores militares da Argélia, Níger, Mali e Mauritânia] está ativo. Vai reunir-se nos próximos dias em Nouackchott.", anunciou.

O governo dos Estados Unidos divulgou nota em que não reconhece a independência de Azawad.

Frente[editar]

Enquanto isso em Bamako, capital de Mali, a frente anti-junta, que agrupa partidos políticos e organizações da sociedade civil, apelou às Nações Unidas para intervir com urgência "para evitar uma catástrofe humanitária em Gao, cidade a norte do país que está sob o controle dos rebeldes e islâmicos armados", pois na cidade, a "população está sitiada e a ficar sem comida", alertou a frente unida para a Salvaguarda da Democracia e da República (SDR) num comunicado.

Histórico[editar]

A rebelião tuaregue, a quatra desde a independência de Mali em 1960, que surgiu em 17 de janeiro, foi responsável pelo golpe que derrubou o Presidente, Amadou Toumani Touré, em 22 de março, na qual nos dias seguintes avançaram, com ajuda de outros grupos armados, conquistaram todas as cidades no Norte e Nordeste, entre elas Gao e Timbuctu.

Fontes[editar]

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