Ir para o conteúdo

Propaganda digital chinesa na América Central

De Wikinotícias

28 de julho de 2025

Email Facebook X WhatsApp Telegram LinkedIn Reddit

Email Facebook X WhatsApp Telegram

 

Nos últimos anos, a República Popular da China (RPC) aumentou sua presença na América Central, não apenas por meio de projetos de infraestrutura e acordos comerciais, mas também por meio de uma sofisticada estratégia de influência digital. Essa estratégia inclui a disseminação sistemática de narrativas favoráveis ao regime chinês nas mídias sociais e veículos de comunicação, com o objetivo de consolidar sua imagem como um parceiro estratégico confiável, ao mesmo tempo em que desacredita vozes críticas e modelos democráticos alternativos.

De acordo com um novo relatório, o soft power da China na região não se limita mais às expressões culturais ou educacionais. Agora, opera como uma ferramenta geopolítica fundamental na batalha por narrativas. Por meio de campanhas direcionadas, parcerias com atores locais e diplomacia digital, a China busca moldar o ecossistema de informações da América Central para reforçar sua legitimidade e combater a influência de potências rivais, especialmente a dos Estados Unidos. Esse fenômeno representa desafios concretos para a saúde democrática dos países da região, onde a liberdade de expressão e o pluralismo informacional estão sob crescente pressão.

Metodologia

O relatório, produzido em espanhol pelo think tank centro-americano Expediente Abierto e pelo meio de comunicação digital latino-americano ProBox, visa identificar as narrativas pró-China mais influentes nos ambientes digitais do Panamá, El Salvador e Costa Rica, e mapear os principais atores envolvidos em sua disseminação e amplificação.

O relatório utiliza uma abordagem de métodos mistos: análise de conteúdo de postagens em mídias sociais (X, Facebook, Instagram) referentes à China e sua relação com os países da América Central; monitoramento de mídias sociais, utilizando ferramentas de escuta social para identificar menções, padrões de amplificação e estratégias de difusão; e identificação de atores-chave, incluindo embaixadas, diplomatas, veículos de comunicação, autoridades locais, acadêmicos e contas automatizadas ou repetitivas.

Conclusões gerais

O estudo mostra que a China não aplica uma estratégia única, mas sim adapta suas narrativas ao contexto político, econômico e cultural de cada país. Em todos os casos, as narrativas pró-China são promovidas principalmente por embaixadas e diplomatas chineses ativos nas mídias sociais, veículos de comunicação estatais chineses como Xinhua e CGTN em Espanhol, veículos de comunicação locais que replicam esse conteúdo de forma acrítica e atores acadêmicos, governamentais ou pró-establishment em cada país.

A estratégia digital chinesa não busca apenas reforçar uma presença positiva, mas também minimizar as críticas ao seu modelo autoritário, ocultar violações de direitos humanos e apresentar seu sistema político como uma alternativa bem-sucedida ao liberalismo ocidental. Isso é enquadrado como uma forma de "cooperação incondicional", que repercute fortemente em contextos autoritários ou semiautoritários.