Professor da UnB diz que aumento de juros inibe mais os investimentos que o consumo

Origem: Wikinotícias, a fonte de notícias livre.
Saltar para a navegação Saltar para a pesquisa

13 de abril de 2008

Mapa da Brasília

O aumento da taxa básica de juros (Selic) “só é bom para o sistema financeiro e para os rentistas” -- especuladores que vivem de renda, têm aversão a riscos e não produzem crescimento – conforme afirmou o professor de Economia da Universidade de Brasília (UnB), Roberto Piscitelli.

Ele critica a “tendência” manifestada pelo Banco Central de aumentar os juros básicos. No último dia 27, diretor de Política Econômica do Banco Central, Mário Mesquita , afirmou que os bancos centrais têm que agir de forma preventiva para evitar descontrole da inflação. Na ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) e no Relatório Trimestral de Inflação, o BC mostrou preocupação com o descompasso entre demanda por bens e serviços e oferta, o que pode gerar inflação. Segundo o diretor, a inflação tem sido estimulada pelo aumento da renda e do crédito, o que leva ao crescimento da procura.

A perspectiva de aumento dos juros na próxima reunião do Copom, nos dias 15 e 16 deste mês, foi manifestada por analistas de mercado e de instituições financeiras, no boletim Focus da última segunda-feira (7), divulgado pelo Banco Central. A previsão é que a taxa passe para 11,5% na próxima reunião e chegue ao final deste ano em 12,5%.

Piscitelli diz ter “sérias dúvidas sobre a eficácia do aumento da taxa de juros para restringir a demanda (procura por produtos e serviços) e controlar a inflação”, que ainda está no centro da meta estipulada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN): de 4,5% no ano, podendo flexibilizar dois pontos percentuais para cima ou para baixo.

Ele lembra que o Brasil tem “juros exorbitantes”, os mais altos do mundo - na contramão dos 2,25% de taxa nos Estados Unidos e de 4% na “zona do euro”- e reafirma que uma elevação da Selic “só agravaria as dificuldades”, com recuo dos investimentos programados no setor produtivo, além de não haver qualquer garantia sobre redução do consumo.

O professor entende que o controle do crédito seria mais eficaz no combate às pressões inflacionárias. Mas acredita também que “seria preciso coragem e determinação para disciplinar o crédito, tornando-o mais seletivo e, sobretudo, limitando os prazos.

Segundo ele, o tomador do empréstimo pouco se importa com a taxa embutida no empréstimo, e está mais interessado no tamanho da prestação do financiamento; tanto que o “mercado” acaba adequando o prazo às condições do cliente; e aí reside a razão básica de “prazos tão absurdamente elásticos, com massa considerável de encargos, pagos com taxas maiores e por prazos maiores”.

Piscitelli destaca, inclusive, ato do próprio governo que recentemente ampliou de 36 para 60 meses o prazo de empréstimos consignados, com desconto na folha de pagamento, para aposentados e pensionistas da Previdência Social. Para ele, a medida foi tomada “desastradamente”, por se tratar de uma forma de “reduzir o aperto atual pela inadimplência futura ou pelo sufoco perene”.


Fontes