Presidente da Coteminas entrega documentos para CPI, PF e Ministro da Justiça do Brasil

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Brasil • 7 de dezembro de 2005

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O presidente da empresa Companhia de Tecidos Norte de Minas (Coteminas), Josué Gomes da Silva entregou nesta quarta-feira (7) documentos sobre o pagamento de R$ 1 milhão registrado em nome do Partido dos Trabalhadores (PT) para a Polícia Federal, o Ministro da Justiça Marcio Thomaz Bastos e para a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito dos Correios.

Gomes da Silva é filho do Vice-Presidente do Brasil José Alencar. Ele informou que resolveu comparecer espontaneamente à Polícia Federal para prestar esclarecimentos sobre o pagamento de R$ 1 milhão registrado em nome do PT.

O empresário disse para ao diretor-geral da Polícia Federal, Paulo Lacerda, que a Coteminas recebeu uma encomenda do PT para 2.750 milhões de camisetas, especificadas em 50 notas fiscais, e faturadas entre 9 de setembro e 18 de outubro de 2004. As camisetas foram vendidas ao partido durante a época da campanha presidencial de 2002, explicou.

Segundo a Agência Brasil Gomes da Silva disse: "Cada uma dessas notas fiscais foi desdobrada em duas duplicatas, com vencimentos a 60 e 90 dias. Portanto, os vencimentos da dívida originalmente contraída pelo fornecimento das camisetas foi no montante total R$ 11.031 milhões".

O empresário contou que o pagamento da dívida devia ter sido feito em novembro, dezembro de 2004 e janeiro de 2005, mas ele foi prorrogado a pedido do PT. " Alteramos o pagamento para os meses de março, abril e maio, sempre no dia 15 de cada mês", disse. Gomes da Silva disse que apenas uma parcela da dívida foi paga, em 17 maio de 2005, no valor de R$ 1 milhão.

Gomes da Silva disse que o ex-tesoureiro do PT, Delúbio Soares participou das negociações para prorrogação da dívida. Segundo o empresário: "A carta encaminhada à Coteminas em que o PT solicita a prorrogação daqueles vencimentos originais, antes das 100 duplicatas, que eram de novembro de 2004 a janeiro de 2005, é uma carta assinada por ele (Delúbio)".

O Presidente da Coteminas disse ainda que a empresa tem cópias de todas as notas fiscais, recibos de entrega e cartas de correspondência trocadas entre a Coteminas e o Partido dos Trabalhadores.

Segundo o Vice-Presidente do Brasil José Alencar: "Não podemos fiscalizar a instituição compradora, se ela está contabilizando a compra e o pagamento".

Nova fonte?

A CPI dos Correios suspeita que há uma nova fonte de recursos financeiros ilegais para o Partido dos Trabalhadores, além daquela que já foi descoberta, controlada pelo empresário Marcos Valério.

O relator da CPI dos Correios deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR) se reuniu nesta quarta-feira (7) com os delegados da Polícia Federal Luiz Flávio Zampronha e Praxíteles Praxedes. Segundo Serraglio, a CPI deseja obter uma informação mais clara a respeito dos fornecimentos da Coteminas para o PT e sobre os respectivos pagamentos.

O relator pediu à Polícia Federal para aprofundar as investigações sobre as movimentações financeiras do empresário Marcos Valério e descartou a convocação do ex-tesoureiro Delúbio Soares, por enquanto.

O relator não acredita que o dinheiro dado pelo PT à Coteminas veio de Marcos Valério. Ele disse: "Admito a possibilidade de que o dinheiro não venha do valerioduto". Ele achou pouco convincente a explicação dada por Delúbio Soares de que ele guardou o dinheiro em casa por quase um ano, antes de fazer o pagamento para a Coteminas. "Ele sentava e renegociava com a Coteminas dizendo que não tinha dinheiro para pagar e com R$ 1 milhão em casa?", questionou.

O relator-adjunto da CPI deputado Eduardo Paes (PSDB-RJ), mostrou uma opinião semelhante à de Serraglio. "É óbvio que ninguém ficou com R$ 1 milhão guardado debaixo do colchão durante um ano, nem o investidor mais incompetente do PT", ele disse. Na opinião de Paes, quando foi efectuado o pagamento do PT à Coteminas, o dinheiro do esquema controlado por Marcos Valério já havia acabado.

O deputado Eduardo Paes ainda comentou: "O que está claro é que R$ 55 milhões não são suficiente para pagar tanta gente que o Delúbio Soares e o Marcos Valério já informaram ter pago. Se os falsos empréstimos já seriam deficitários, com esse outro milhão ele aumentou esse déficit em mais um milhão."

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Fontes