Premiê espanhol submete ao Parlamento acordo para novo resgate a Grécia

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Agência Brasil

15 de julho de 2015

O presidente do governo espanhol, Mariano Rajoy, anunciou hoje (15) que vai submeter à votação no Parlamento, ainda que a lei não o obrigue, o acordo para o novo resgate financeiro pedido pela Grécia aos parceiros europeus.

O anúncio do premiê espanhol foi feito no plenário do Congresso dos Deputados, agendado para discutir as conclusões do último Conselho Europeu. O chefe do governo espanhol justificou a sua decisão com o elevado volume de recursos financeiros que implica um terceiro resgate grego, inclusive para a Espanha.

Na prática, porém, a votação sobre o terceiro resgate financeiro para a Grécia poderá forçar os partidos Socialista Operário Espanhol (PSOE) e Podemos, de extrema esquerda, a decidir, em pleno Congresso, as suas posições quanto ao terceiro resgate grego. O Partido Popular (PP), de Rajoy, enalteceu o acordo alcançado, enquanto os partidos da esquerda, como o Izquierda Unida, reagiram com aplausos ao acordo e críticas ao governo pela sua posição.

O Podemos, que desde a sua formação defende uma reestruturação da dívida pública espanhola, como o Syriza, na Grécia, deixou cair essa ideia na terça-feira (14), afirmando que já não vê essa necessidade para Espanha.

No plenário, Rajoy reiterou que a Espanha dará todo o apoio à Grécia no terceiro resgate, desde que o governo de Alexis Tsipras cumpra com seus compromissos.

Apenas seis países da União Europeia (UE) têm leis que os obrigam a votar, nos respectivos parlamentos, o novo acordo com a Grécia. Entre eles, está a Alemanha.

Rajoy disse que o assunto tem de ser debatido e votado no Parlamento espanhol porque implica "muitos recursos garantidos pelos contribuintes". Segundo os últimos cálculos do Fundo Monetário Internacional (FMI), as necessidades de financiamento da Grécia "aumentaram de forma notável", desde o referendo e o fechamento dos bancos gregos, elevando-se a valores entre os 82 bilhões a 86 bilhões de euros.

Na resposta, o líder socialista, Pedro Sánchez, lembrou ao presidente do governo espanhol que o Parlamento alemão votou o resgate dos bancos espanhóis em 2011, mas que esse debate não foi feito no Parlamento espanhol. Sánchez reafirmou que Alexis Tsipras se enganou nas políticas propostas, por exemplo, ao fazer uma anistia fiscal, mas avaliou que Rajoy também aprovou uma proposta. "Os extremos também se tocam,” disse Sánchez.

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