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Premiê do Catar diz que ataque do Irã a polo de gás tem 'impacto significativo' no fornecimento global de energia

De Wikinotícias

20 de março de 2026

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Nessa quinta (19), o primeiro-ministro do Catar, Sheikh Mohammed bin Abdulrahman Al Thani, repudiou os ataques do Irã ao principal centro de gás do país. A ofensiva aconteceu um dia depois de Teerã ter lançado uma série de ações contra as infraestruturas energéticas no Golfo.

"Este ataque tem repercussões significativas para o fornecimento global de energia. Ações como essa não trazem benefício direto a nenhum país; ao contrário, prejudicam e impactam diretamente as populações", declarou o primeiro-ministro durante uma coletiva de imprensa. A declaração foi emitida após danos significativos à instalação de Ras Laffan, vista como o principal centro de processamento e exportação de gás natural do país.

Diferentemente de conflitos recentes na região, como a guerra entre Irã e Israel em junho de 2025 e o confronto entre Israel e Hamas, a atual guerra no Irã ultrapassou as fronteiras dos países diretamente envolvidos e se espalhou pelo Oriente Médio.

O ataque perpetrado pelo regime islâmico do Irã na quarta-feira (18) contra instalações energéticas em Ras Laffan, no Catar, diminuiu em aproximadamente 17% a capacidade de exportação de gás natural liquefeito (GNL) do país. Isso pode impactar o fornecimento global de energia, conforme comunicado oficial da estatal QatarEnergy na quinta-feira (19).

Ras Laffan, uma cidade industrial, é o principal centro energético do Catar e sede do maior complexo de produção de GNL do planeta. O ataque do Irã atingiu as unidades de liquefação conhecidas como Trains 4 e 6, responsáveis pela produção de aproximadamente 12,8 milhões de toneladas anuais. Esse volume representa cerca de 17% das exportações de GNL do Catar.

De acordo com a empresa estatal QatarEnergy, a destruição das instalações resultará em uma perda anual estimada em aproximadamente US$ 20 bilhões (R$ 104 bilhões) e levará até cinco anos para que os sistemas sejam completamente restaurados. A empresa comunicou que poderá invocar a cláusula de força maior em contratos de longa duração, o que provavelmente impactará o fornecimento para os mercados europeu e asiático.

Saad Sherida Al-Kaabi, ministro de Estado para Assuntos Energéticos do Catar e diretor-executivo da empresa, declarou que o ataque do Irã ocorrido na quarta-feira representa um ataque tanto ao país quanto à estabilidade energética global.

Além das linhas de liquefação de gás, a instalação Pearl GTL, que converte gás natural em combustíveis e outros derivados, foi atingida pelo bombardeio. A instalação é operada pela multinacional petrolífera britânica Shell. De acordo com a empresa, pelo menos uma das unidades precisará ficar inativa por um período mínimo de um ano, o que resultará na redução da produção de condensados, GLP, nafta, enxofre e hélio.

Fontes