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Preços de Paris com qualidade de Belém: muitos dos leitos oferecidos para a COP 30 não valem seu preço

De Wikinotícias

20 de setembro de 2025

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A polêmica em torno dos preços praticados pela rede de hospedagem em Belém, Pará, para a COP 30, tanto formal como informal, escancarou outra coisa: a falta de qualidade de muitos dos leitos oferecidos. E pior: não houve fiscalização - ou houve fiscalização mínima - dos governos de Belém e do Pará para avaliar se as vagas oferecidas têm condições adequadas para receber os hóspedes.

A constatação é da wikijornalista Marcia Bia, que analisou algumas matérias divulgadas pela imprensa e também ofertas nos portais Airnbnb e Booking.

A diretora geral do Airbnb na América do Sul, Fiamma Zarife, por exemplo, disse semanas atrás ao G1 que a rede ofereceu trabalho de capacitação, mas reconheceu que sua interferência é limitada. Estima-se que cerca de 20 mil leitos na Grande Belém estejam sendo disponibilizados em plataformas, cerca de 10 mil em imobiliárias e outras 15 mil na rede hoteleira formal. Um total de cerca de 50 mil leitos são necessários para o evento.

O governo do Pará tentou articular a qualificação e "orientação de anfitriões sobre preços adequados, qualidade no atendimento e alinhamento às diretrizes da COP30", juntos à plataformas como Booking e Airbnb, mas não criou um sistema próprio. Apesar disso, a anfitriã Aline Marion, líder da Comunidade Airbnb em Belém, comemorou o que chamou ser o "nosso jeito de receber".

Preços de Paris com qualidade de Belém

Apesar dos valores em dólares praticados serem compatíveis aos praticados em outros países quando há grandes eventos, a diferença reside na qualidade dos leitos disponíveis. Belém não é Paris!

Veículos de imprensa apontaram que na capital da França nos Jogos Olímpicos os preços das diárias eram de cerca de 400,00 dólares (300 a 500 aproximadamente), enquanto em Belém elas custam cerca de 350,00 (300 a 400), ao mesmo tempo em que o caso de um motel rapidamente transformado em hotel com uma diária de cerca de 500 dólares mostrou a falta de estrutura local: as fotos que rodaram o mundo escancararam claramente que se trata de uma local precário que dificilmente seria encontrado em Paris.

Além do erro da falta de investimentos de quem optou por participar da "rede de hospedagem", seja formalmente ou não, o governo de Belém errou ao não fazer um mapeamento do que havia disponível, tanto em hospedagens ‘’5 estrelas’’, como nas de classificação bem inferior ou sem classificação, como é o caso da rede informal.

Rede formal e informal

A rede formal refere-se a estabelecimentos com CNPJ licenciado para oferecer serviços de hospedagem, como hotéis e pousadas. Já a rede informal refere-se a opções de alojamento onde o locador não tem uma empresa constituída para isto, como a oferta de residências por temporada, quando as famílias saem de suas casas para alugar o imóvel por alguns dias ou semanas. Essa modalidade é amplamente utilizada no Brasil em temporadas como as do Carnaval e das Festas Juninas na Região Nordeste.

Levantamentos em veículos de imprensa indicaram que para a COP 30 há cerca de 15 mil leitos em estabelecimentos formais e cerca de 35 mil em informais, o que representa aproximadamente 57,2% de informalidade e sem fiscalização.

Classificação da rede hoteleira

Em junho de 2011 o governo brasileiro lançou uma nova classificação do serviços de hospedagem, adotando a classificação de 1 a 5 estrelas, sendo avaliados quesitos como a variedade dos serviços prestados e a qualidade da infraestrutura de instalações e dos equipamentos. Segundo a lei cada tipo de estabelecimento formalmente constituído pode ter um tipo de classificação.

  • Resort - 4 e 5 estrelas
  • Hotel histórico e flat/apart-hotel - 3 a 5 estrelas
  • Hotel, pousada e hotel fazenda - 1 a 5 estrelas
  • Cama e Café - 1 a 4 estrelas

Não há, portanto, classificação para estabelecimentos informais.

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Referências

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