Pompeo diz que EU fecharam consulado da China em represália por roubo de propriedade intelectual

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22 de julho de 2020

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Os EUA ordenaram o fechamento do consulado chinês em Houston, Texas, por causa do problema persistente do roubo de propriedade intelectual dos Estados Unidos (EU) por Pequim, disse nesta quarta-feira o secretário de Estado Mike Pompeo. "Estamos deixando claro como o Partido Comunista Chinês deverá se comportar", disse durante uma entrevista coletiva na Dinamarca, "e quando não o fizer, tomaremos medidas que protegem o povo americano, nossa segurança, nossa segurança nacional e também nossa economia e empregos", afirmou.

A China recebeu um prazo até sexta-feira à tarde para fechar as instalações de Houston, que tem cerca de 60 funcionários. A medida vem após a escalada de tensões entre os EU, a maior economia do mundo, e a China, a segunda maior.

A ordem veio um dia depois que o presidente Donald Trump reconheceu que a pandemia de Covid-19, originada na China, provavelmente piorará nos EU antes que melhore. O número de casos de coronavírus aumentou nos país para uma média de 66.000 por dia na última semana, enquanto o número de mortes agora já supera 142.000 e está subindo novamente para mais de 900 por dia após o relaxamento das medidas de prevenção, como as de isolamento social, nas últimas semanas.

Trump frequentemente chama o COVID-19 de "vírus da China", mas nega qualquer racismo.

Pompeo disse que as ações da China em Houston tiveram um grande impacto. "Não é apenas a propriedade intelectual americana que é roubada", disse ele, mas "também tem sido a propriedade intelectual europeia, custando centenas de milhares de empregos - bons empregos para trabalhadores em toda a Europa e nos EU - roubados pelo Partido Comunista Chinês".

Um importante legislador republicano, o senador Marco Rubio, disse em um tweet: "O consulado chinês é a parte central da espionagem e das operaçãoes de influência do Partido Comunista. Agora, o local precisa ser fechado em 72 horas ou os funcionários enfrentarão a prisão. Isto precisava acontecer".

Quatro senadores republicanos apresentaram hoje a Lei Estratégica, uma ampla legislação que trata da concorrência econômica dos EU com a China, enfatizando a cooperação em áreas de controle de armas, meio ambiente e relações com a Coréia do Norte. "Esta legislação desenvolve ferramentas adicionais para nos ajudar a entender a intenção da China, proteger-nos contra a influência maligna da China e proteger nossos interesses", disse o senador Mitt Romney num comunicado.

No entanto, alguns democratas do Congresso expressaram preocupação de que o governo Trump não tenha uma estratégia para lidar com as consequências a longo prazo do fechamento do consulado. “Sou a favor de salvaguardar nossa segurança nacional. Entendo a importância de ser duro com a Chin, mas ser duro é o meio, não o fim”, disse o senador Bob Menendez, democrata que faz parte do Comitê de Relações Exteriores. “Quero entender melhor não apenas as considerações táticas, mas como essa medida avança nossa estratégia. Qual é o efeito que esperamos que isso tenha no comportamento da China quando a China retaliar, como eles disseram que vão? Qual será o nosso próximo passo? E o nosso próximo depois disso?"

Robert Daly, diretor do Instituto Kissinger no Woodrow Wilson Center, disse ao VOA que deveria haver mais nuances na política dos EU. “É verdade que a China está ficando muito mais repressiva no mercado interno, que etá se movendo em direção ao totalitarismo do capital, abandonou a reforma, não tem paciência para discordar e está ficando mais agressiva internacionalmente, de uma maneira que preocupa não apenas os Estados Unidos, mas provavelmente outras nações, mas precisamos de uma política eficaz. No momento, temos uma política simples de a "China é ruim". As críticas à China são todas verdadeiras, mas não estão completas", explicou.

Enquanto Trump elogia frequentemente o presidente chinês Xi Jinping, as tensões entre os dois países aumentaram durante a pandemia e devido à repressão da China aos protestos em Hong Kong, que os EUA e seus aliados ocidentais lamentaram. Os EUA emitiram novas regras de viagem para diplomatas e também exigiram que algumas organizações de notícias estatais chinesas se registrassem como entidades diplomáticas. Além disto, dois cidadãos chineses foram acusados ​​ontem (21) de invadir computadores de centenas de instituições em todo o mundo, incluindo os de empresas de biotecnologia dos EU que desenvolvem vacinas e tratamentos contra Covid-19, como parte do trabalho para o governo chinês.

A China se opôs veementemente ao fechamento do consulado e ameaçou retaliar. Aos repórteres em Pequim, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Wang Wenbin, disse que a diretriz dos EU "é uma escalada sem precedentes de suas ações recentes contra a China". Ele acusou os EU de assediar funcionários diplomáticos e consulares chineses, além de "intimidar e interrogar estudantes chineses e confiscar seus dispositivos eletrônicos pessoais", chegando ao ponto de detê-los. Wang também disse que a Embaixada da China em Washington e outros consulados nos EUA receberam ameaças de bomba e de morte por telefone.

Horas após a ordem, a estação de televisão local KPRC de Houston transmitiu imagens de fumaça subindo de um pátio dentro do consulado, com caminhões de bombeiros estacionados na rua do lado de fora. A polícia de Houston disse que funcionários do consulado estavam queimando documentos em contêineres abertos, em preparação para serem despejados, mas que as autoridades locais não entraram nos prédios diplomáticas.

Existem outras seis missões diplomáticas chinesas nos EUA - a embaixada em Washington, um escritório nas Nações Unidas e consulados em Nova York, Los Angeles, San Francisco e Chicago.

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