Polícia Federal deflagra Operação Bravata e prende acusados por divulgação de crimes na internet

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Agência Brasil

10 de maio de 2018

Policiais federais estão hoje (10) nas ruas de seis cidades desde cedo numa operação contra crimes cometidos por meio da internet. Os investigados na Operação Bravata vão responder pelos crimes de associação criminosa, ameaça, racismo e incitação ao crime.

Cerca de 60 policiais federais cumprem um mandado de prisão preventiva e oito de busca e apreensão nas cidades de Curitiba, Rio de Janeiro, São Paulo, Recife, Santa Maria (no Rio Grande do Sul) e Vila Velha (no Espírito Santo).

De acordo com a Polícia Federal (PF), os criminosos utilizavam sites e fóruns mantidos na internet com objetivo de incentivar a prática de crimes, como estupro, assassinato de mulheres e negros e atos de terrorismo, existem também evidências de que os investigados foram responsáveis por “ameaças de bomba encaminhadas a diversas universidades do país”.

Entre os presos está Marcelo Valle Silveira Mello, que já foi detido anteriormente pela mesma polícia em 2012 na Operação Intolerância por mesmo crime. Marcelo Mello é responsável pelo site chan Dogolachan (dogolachan.org), local para postagem de mensagens anonimamente liderados por ele. Chan é abreviatura para Channel, uma Imageboard para postagem de mensagens anonimamente.

De acordo com a PF, no nome da operação, Bravata, refere-se à maneira com que os suspeitos intimidavam suas vítimas, com “ameaças de maneira insolente, fanfarrice, comportamento de quem ostenta suas próprias qualidades, ação da pessoa presunçosa, arrogante e modo de agir de quem faz alarde de uma coragem que não possui”.

Operação Intolerância

A ação desta quinta-feira é um desdobramento da Operação Intolerância, realizada em 2012, que investigou pessoas envolvidas nos mesmos crimes. Na ação de hoje, a polícia constatou que os indivíduos investigados aparentemente mantinham relações com os que foram presos na operação de 2012, inclusive com o uso dos mesmos sites e novas páginas na internet.

A Operação Intolerância aconteceu em 22 de março de 2012, quando a PF prendeu em um hotel no centro de Curitiba, Emerson Eduardo Rodrigues e Marcelo Valle Silveira Mello, dupla responsável por publicar postagens com conteúdo discriminatório no site Silvio Koerich (na verdade, eram dois sites, silviokoerich.com e o silviokoerich.org) desde agosto de 2011.

No entanto, o site começou a ganhar atenção nas redes sociais e da imprensa brasileira no final de 2011, provocando indignação, por defender crimes contra a animais, mulheres, negros, homossexuais e nordestinos, além de defender nazismo e massacres escolares. Umas das postagens no site apoiava Wellington Menezes de Oliveira, que em abril de 2011 atirou em alunos da Escola Municipal Tasso da Silveira no bairro do Realengo (no Rio de Janeiro), onde 12 crianças morreram e 10 ficaram feridas, antes ser abatido à tiros por um policial que passava no local. O site alegava que convenceu o atirador a proceder o massacre.

Ao chegar 2012 e com muita repercussão, passou direcionar ataques contra autoridades e políticos brasileiros, continham texto em que apoiam a pedofilia (além de publicar fotos de menores com poses sugestivamente sexuais, vindas nas agências de modelos questionáveis) e textos anti-femininos (ensinando como abusar sexualmente das adultas e menores).

Com a prisão da dupla, o site Silvio Koerich só foi desativado cerca de um mês depois. Em 2013, a dupla foi solta por ordem judicial e passaram a responder em liberdade. As acusações gravíssimas foram retiradas em 2015, por conta do indulto assinado pela então presidenta Dilma Rousseff, que beneficiou cerca de 40 mil criminosos. No entanto, a dupla voltou a cometer crimes informáticos.

Em 2013, o primeiro blog prós-Silvio Koerich foi Homem de Bem (homemdebem.org) postando conteúdo parecido com o blog fechado em 2012, que semanas depois, saiu do ar. Depois foram a vez dos blogs Rei do Camarote, Tio Astolfo, Lola Aronovich (outubro de 2015) e o mais recente é o Rio de Nojeira, que continua no ar.

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Fontes

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