Parlamentares dos EUA decidem se Venezuela entra para lista de países considerados terroristas

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14 de fevereiro de 2008

Congressistas estadunidenses pediram ao governo do Presidente George W. Bush investigar a Venezuela, principalmente suas relações com Irã, Cuba e FARC. A proposta inicial partiu de 21 Congressistas do Partido Republicano, liderados pela parlamentar Ros-Lehtinen (Rep/Flórida). Eles querem incluir a Venezuela na lista de países que apóiam o terrorismo.

O documento enviado para avaliação do Poder Executivo foi tornado público nesta quarta-feira. Segundo ele:"A Câmara de Representantes pede aos EUA investigar até ponto a Venezuela pode ser assinalada como um santuário para terroristas". No documento, a expressão "santuário de terroristas" está definida como uma "região num país que é utilizada por organizações terroristas sob um governo que expressamente permite, conhece e tolera essa situação".

No último dia 6 de fevereiro a Congressista Ros-Lehtinen enviou um pedido ao Executivo a fim de verificar se um acordo do setor petroquímico entre os governos da Venezuela e do Irã violava alguma lei estadunidense. A estatal PDVSA opera nos EUA através da empresa CITGO. A PDVSA/CITGO e a Irã Petropars anunciaram que iriam juntar forças num negócio avaliado em 1 bilhão de dólares. A Congressista quer saber se o investimento da PDVSA/CITGO com a empresa iraniana viola a Iran Sanctions Act, lei que impõe restrições a investimentos com o Irã com o objetivo de impedir que esse país arrecade fundos para financiar o terrorismo e seu programa nuclear.[1]

A proposta para se incluir ou não a Venezuela na lista negra dos países terroristas precisa ainda entrar em votação na Câmara.

Segundo a agência Reuters, numa reunião com empresários argentinos, o Presidente Hugo Chávez respondeu: "O primeiro país que deve ser colocado na lista dos que apóiam o terrorismo se chama EUA(...) e o primeiro da lista de pessoas é George W. Bush. O senhor, cavalheiro, se coloque aí como primeiro da lista dos terroristas do mundo".[2]

FARC têm apoio de países sulamericanos

A Venezuela nega-se a classificar as FARC como organização terrorista. Hugo Chávez disse em janeiro que "as FARC não são terroristas, mas forças insurgentes que têm um projeto político e bolivariano". A Venezuela contudo não está sozinha no que diz respeito a reconhecer a organização armada colombiana como força terrorista.

Segundo a agência EFE, o Presidente do Equador, Rafael Correa, disse ontem que as FARC deveriam incondicionalmente libertar todos as pessoas sequestradas que estão em seu poder. Correa porém recusou-se a classificar as FARC como organização terrorista:"Eu tenho que cuidar da integridade do [meu] país, se eu declaro as FARC terroristas, teremos que combatê-las e nos metermos num problema que não é nosso". Correa porém considerou como "terroristas algumas ações das FARC e que merecem ser condenadas assim como outras que ocorrem na Colômbia".[3]

A Bolívia não só rechaça a idéia de classificar as FARC como terroristas como defende a idéia de reconhecê-la como um grupo político legal. Conforme informou o jornal colombiano El Pais, o Vice-Presidente da Bolíva, Álvaro García Linera, disse que "as FARC são um feito político para o qual não há uma solução militar". Em visita ao Brasil, Álvaro García disse em entrevista à agência EFE, em Brasília: "Independente das simpatias e antipatias que possam ter, o importante é o reconhecimento de que [as FARC] são um feito político e merecem ser tratadas como tal".[4]

O presidente brasileiro disse que são abomináveis os seqüestros das FARC. Contudo o Brasil também nega-se a reconhecer as FARC como organização terrorista.

O chanceler das FARC Olivério Medina vive no Brasil sob a proteção legal desse país apesar dos protestos das autoridades colombianas. Existe a suspeita de que viva em São Paulo, o Comandante Hermes, importante liderança das FARC, envolvido no seqüestro e assassinato da filha do ex-Presidente do Paraguai Raul Cubas. Em 2001 houve a denúncia por parte da Revista brasileira Veja de que as FARC teriam contribuído para a campanha de Luiz Inácio Lula da Silva. A denúncia foi investigada por uma junta do Congresso Nacional que resolveu arquiva-la alegando falta de provas. Todavia, tanto os envolvidos dos partidos que apoiaram Lula, inclusive do Partido dos Trabalhadores, quanto o pivô da denúncia o chanceler das FARC Olivério Medina não negaram o facto de terem participado de um churrasco nos arredores de Brasília para comemorar a campanha de Lula. As FARC publicamente nas duas vezes em que Lula foi eleito emitiram um comunicado saudando a eleição do mandatário brasileiro.

As FARC, Venezuela, Bolívia e Equador fazem parte da organização Foro de São Paulo, criada por Lula e Fidel Castro para possibilitar o renascimento do Comunismo no continente latino-americano.[5]

Referências

  1. http://foreignaffairs.republicans.house.gov/apps/list/press/foreignaffairs_rep/021208venez.shtml
  2. http://lta.reuters.com/article/worldNews/idLTAN1339467720080214
  3. http://www.elpais.com.co/paisonline/notas/Febrero142008/int02.html
  4. http://www.elpais.com.co/paisonline/notas/Febrero142008/int02.html
  5. http://www.granma.cu/portugues/2008/enero/vier25/reflexiones.html

Fontes