Operação Cobra: Polícia Federal prende o ex-presidente do Banco do Brasil e Petrobras, Aldemir Bendine, no desdobramento da Lava Jato

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Agência Brasil

27 de julho de 2017

A Polícia Federal (PF) cumpriu na manhã de hoje (quinta-feira, 27) mandados judiciais, entre eles, foram cumpridos outros dois mandados de prisão temporária em Pernambuco e 11 de busca e apreensão na 42ª fase da Lava Jato, chamada de Operação Cobra. Os alvos principais, segundo nota do Ministério Público Federal (MPF) no Paraná (MPF-PR), são Aldemir Bendine (ex-diretor da Petrobras e do Banco do Brasil (BB)) e dois operadores financeiros André Gustavo Vieira da Silva e Antônio Carlos Vieira da Silva Júnior, suspeitos de participarem do recebimento de R$ 3 milhões em propinas pagas pela Odebrecht.

A PF informou, ainda, que os três alvos da Operação Cobra (Aldemir Bendine, André Vieira da Silva e Antônio Vieira da Silva Júnior já foram presos) e foram transportados para Curitiba. Bendine foi preso na cidade de São Paulo, enquanto Vieira da Silva e Vieira da Silva Júnior foram presos em Recife (capital de Pernambuco). O nome da operação é em referência ao codinome de Bendine nas planilhas da empreiteira, grafado em "Cobra". Bendine esteve no comando do BB entre 2009 a 2015 e em seguida, presidente da Petrobras de 2015 a 2016, nos três Governos Federais, o de Lula (2003-11), a da Dilma (2011-16) e nas primeiras semanas do Temer.

Apesar da Operação Cobra ter sido deflagrada a partir das delações da Odebrecht, a força-tarefa ressaltou que os depoimentos foram apenas um ponto de partida para as investigações. Segundo o MPF, foram colhidas provas de encontros em restaurantes e hotéis, além de recuperadas conversas de texto trocadas entre os envolvidos por meio de um aplicativo de celular que destrói as mensagens automaticamente.

Na nota do MPF, o procurador da República Athayde Ribeiro Costa destacou a audácia dos três envolvidos. “É incrível topar com evidências de que, após a Lava Jato já estar em estágio avançado, os criminosos tiveram a audácia de prosseguir despojando a Petrobras e a sociedade brasileira”, disse. O Ministério Público Federal acusou Bendine de tentar fugir para Portugal, já que ele tem ascedência portuguesa. A prova é uma passagem de ida para esse país europeu, que seria embarcada para amanhã.

Coletiva

De acordo com o MPF-PR, existem evidências de que o ex-presidente da Petrobras e do Banco do Brasil ter pedido propina à Odebrecht AgroIndustrial. Por entender que Bendine não tinha poder para influenciar na rolagem do empréstimo, a empresa decidiu não pagar os R$ 17 milhões, mas acabou aceitando repassar posteriormente, R$ 3 milhões de propina em espécie da Odebrecht para garantir seus interesses na Petrobras e não prejudicar a empresa em futuras contratações, segundo informações das equipes da Polícia Federal (PF) e dos procuradores do Ministério Público Federal (MPF) que atuam na Lava Jato em nota à imprensa.

Numa primeira oportunidade, um pedido de propina no valor de R$ 17 milhões realizado por Aldemir Bendine à época em que era presidente do Banco do Brasil, para viabilizar a rolagem de dívida de um financiamento da Odebrecht AgroIndustrial. Marcelo Odebrecht e Fernando Reis, executivos da Odebrecht que celebraram acordo de colaboração premiada com o Ministério Público, teriam negado o pedido de solicitação de propina porque entenderam que Bendine não tinha capacidade de influenciar no contrato de financiamento do Banco do Brasil.

Nota

Além disso, segundo o MPF, “há provas apontando que, na véspera de assumir a presidência da Petrobras, o que ocorreu em 6 de fevereiro de 2015, Aldemir Bendine e um de seus operadores financeiros novamente solicitaram propina a Marcelo Odebrecht e Fernando Reis. Desta vez, as indicações são de que o pedido foi feito para que o grupo empresarial Odebrecht não fosse prejudicado na Petrobras, inclusive em relação às consequências da Operação Lava Jato”, continua a nota.

Segundo o procurador Athayde Ribeiro Costa, integrante da força-tarefa da Lava Jato no MPF, Aldemir Bendine tentou declarar os valores ilícitos como oriundos de uma suposta consultoria prestada à Odebrecht. Bendine pagou o imposto sobre a propina recebida da Odebrecht em 2015, segundo o Ministério Público Federal (MPF).

Não houve contrato, não houve justificativa para a diminuição de uma consultoria no valor de R$ 17 milhões para R$ 3 milhões, valor que realmente foi pago. Tampouco não fazia qualquer sentido o recolhimento de impostos já em 2017. Para o MPF, esse recolhimento de imposto significa uma tentativa de ocultar e dissimular a origem criminosa dos valores e também ludibriar as investigações e obstruir a Justiça.

Procurador Athayde Ribeiro Costa

O procurador Athayde Costa também comentou sobre a atividade criminosa em pleno funcionamento da Lava Jato. “As provas de que o presidente da Petrobras nomeado para acabar com a corrupção na companhia estava praticando corrupção é realmente de assustar a todos nós. É indignante que, durante o escândalo de corrupção, pessoas utilizavam a companhia para praticar crimes e auferir recursos, segundo as evidências até então colhidas”, disse.

Isso é importante pontuar porque, vez ou outra, criticam as colaborações a pretexto de que seriam apenas elas as razões de um pedido de prisão. Não [é verdade]. A razão de pedidos de prisão são as provas de corroboração que são colhidas durante a investigação.

Enfatizou o procurador Athayde Costa

“É um caso muito interessante e relevante, porque o alvo principal é ex-presidente do Banco do Brasil, ex-presidente da Petrobras, num período em que a Lava Jato já estava em pleno funcionamento, ele deixa o BB e assume essas funções na Petrobras”, disse o delegado Igor Romário de Paula, responsável pelo combate ao crime organizado na Polícia Federal no Paraná.

Dilma Rousseff

Ainda segundo a força-tarefa da Lava Jato, a investigação não encontrou evidências de participação criminosa da ex-presidente Dilma Rousseff neste caso. Bendine assumiu a presidência da Petrobras em 2015 por indicação da petista.

“Segundo os colaboradores, [Bendine] havia utilizado mão da então presidente da República para se promover perante os empreiteiros. Nada foi apontado em termos concretos de movimento da então presidente Dilma”, disse Costa.

Defesa de Aldemir Bendine

A defesa do Aldemir Bendine apresentou na noite de hoje (27) um pedido de reconsideração da ordem de prisão temporária ao juiz Sérgio Moro. Segundo o advogado de Bendine, Pierpaolo Bottini, o ex-presidente da Petrobras já tinha manifestado disposição de colaborar com a Justiça e já tinha aberto mão do sigilo bancário e fiscal há mais de um mês.

Ele disse que queria contar a versão dele dos fatos, e não tem nenhum indicativo de que ele fosse obstruir a justiça ou fugir. Então, estamos levando esses fatos para [o juiz Sérgio] Moro e esperando o retorno dele.

Pierpaolo Bottini

A expectativa é que o juiz decida sobre a questão até amanhã. Bottini também alega que o ex-presidente tinha passagem de ida e volta a Portugal, e viajaria a turismo. O Ministério Público Federal afirmou que só havia localizado a passagem de ida de Bendine para Portugal.

Histórico

Aldemir Bendine presidiu o Banco do Brasil (BB) entre 17 de abril de 2009 a 6 de fevereiro de 2015 e a Petrobras entre 6 de fevereiro de 2015 e 30 de maio de 2016, quando substituiu Graça Foster em meio ao maior escândalo de corrupção da estatal revelada pela Operação Lava Jato.

A deflagração da Operação Cobra teve por base as delações premiadas do ex-presidente da Odebrecht, Marcelo Odebrecht, e do ex-presidente da Odebrecht Ambiental, Fernando Reis. Segundo os depoimentos, Bendine pediu R$ 17 milhões em propina, ainda quando presidente do Banco do Brasil, para rolar uma dívida da Odebrecht Agroindustrial. Os delatores afirmam que este pedido foi negado pela empreiteira.

Pouco antes de assumir a presidência da Petrobras, ainda segundo as delações, Bendine solicitou propina novamente, sob o argumento de que poderia prejudicar a Odebrecht na petrolífera (inclusive em relação à Operação Lava Jato). Dessa vez, a empreiteira avaliou que poderia realmente ser prejudicada e aceitou pagar R$ 3 milhões em propina. Os indícios mostram que os pagamentos foram feitos em três repasses de R$ 1 milhão, todos em 2015, feitos por meio de contratos fictícios de consultoria junto a uma empresa laranja, informou o MPF.

Fontes

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