ONU retoma negociações sobre tratado para reduzir poluição de plástico
5 de agosto de 2025
Nessa terça (5), representantes de mais de 100 países se reúnem no Escritório das Nações Unidas em Genebra para retomar as negociações de um pacto global para diminuir a poluição plástica, apesar das preocupações de que os termos possam não ser suficientemente rigorosos. As reuniões em Genebra seguem o INC-5 (Comitê Intergovernamental de Negociação) realizado na Coreia do Sul em novembro de 2024, porém sem progresso.
As questões mais controversas envolvem a restrição da produção, o gerenciamento de produtos plásticos e químicos nocivos, além do suporte financeiro para auxiliar os países em desenvolvimento na implementação do tratado. Também não houve consenso sobre a quantidade de lixo.
Inger Andersen, diretora executiva do Pnuma (Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente), afirmou que não desejava um resultado final "sem sentido", mas que era fundamental agir rapidamente. "Estamos tentando fazer o que pudermos para lidar com a poluição de plástico, inclusive no ambiente marinho, porque esses impactos são catastróficos", afirmou Andersen.
Os delegados informaram à Reuters que os países produtores de petróleo, como Arábia Saudita e Rússia, pretendem contestar cláusulas importantes do acordo e defender medidas voluntárias ou nacionais. Isso torna mais difícil alcançar um acordo juridicamente vinculativo para enfrentar a causa principal da poluição plástica.
A produção mundial de plástico em 1950 era de 2 milhões de toneladas. Em 2022, esse total aumentou para 475 milhões e pode chegar a mais de 1 bilhão de toneladas até 2060, caso as tendências atuais continuem, de acordo com as estimativas da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Quatro por cento das emissões globais de CO₂ são atribuídas à indústria do plástico.
Ademais, segundo o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), que coordena as negociações da ONU, a quantidade de resíduos plásticos no solo, rios, picos das montanhas e oceanos dobrará até 2040.
Como resultado, há três anos, a organização iniciou um ciclo de negociações para tentar reduzir a poluição causada por plásticos. Uma rodada realizada em Busan, na Coreia do Sul, em dezembro de 2024, foi considerada um fracasso. O diplomata equatoriano Luis Vayas Valdivieso presidiu o evento, que foi obstruído por um grupo de países produtores de petróleo, entre os quais se destacam Arábia Saudita, Irã e Rússia, que impediram qualquer progresso em razão de interesses comerciais.
"Apenas um quarto das moléculas plásticas foi objeto de avaliação científica, pois seu número está em constante evolução. No entanto, desse quarto, dois terços são problemáticos em termos de toxicidade direta, ou seja, sem levar em conta os efeitos combinados", esclarece ao veículo francês Les Echos Henri Costa-Bourgeois, diretor de assuntos públicos da Fundação Tara, uma instituição parisiense voltada para o oceano.
Fontes
[editar | editar código]- ((pt)) ONU retoma negociações sobre tratado para reduzir poluição de plástico — CNN Brasil, 5 de agosto de 2025
- ((pt)) ONU vai retomar negociações sobre poluição dos plásticos em meio a desafios para países em desenvolvimento — Terra (empresa), 5 de agosto de 2025


