Nobel de Medicina é entregue para trio que descobriu o controle do sistema imunológico
6 de outubro de 2025
O Nobel de Medicina foi anunciado na manhã desta segunda-feira (6) concedendo o prêmio para três cientistas: os norte americanos Mary E. Brunkow e Fred Ramsdell e o japonês Shimon Sakaguchi. Eles foram responsáveis por revelarem que o sistema imunológico possuí ferramentas para evitar ataques ao próprio corpo. Atualmente, essa descoberta é chamada de tolerância imune periférica.
Desde a Antiguidade, o ser humano entende que o próprio corpo consegue combater e se recuperar de doenças. Apenas em 1882 que Ilya Ilyich Mechnikov conceituou o processo do sistema imunológico, ao demonstrar que glóbulos brancos funcionavam como um exército devorador de doenças doentes.
Entretanto, um dúvida fundamental ainda pairava na ciência: como o sistema imunológico determina o que deve atacar e o que deve defender? Essa resposta é a que recebeu o Prêmio Nobel de Fisiologia ou Medicina 2025.
Até o fim do século passado, muitos pesquisadores estavam convencidos de que a tolerância imunológica só se desenvolvia devido à eliminação de células imunes potencialmente nocivas no timo, por meio de um processo chamado tolerância central.
O japonês Shimon Sakaguchi demonstrou, em 1995, que o sistema imunológico não se concentrava apenas no timo e na medula óssea, vistos como centrais do corpo. Ele demonstrou que a proteção contra doenças se espalha em todas áreas do ser humano por meio de células imunes que identificam e combatem as células infectadas por vírus ou células tumorais. Essas células passaram a ser conhecidas como células T reguladoras.
Em 2001, os norte americanos Mary Brunkow e Fred Ramsdell quando apresentaram a explicação para o motivo pelo qual uma linhagem específica de camundongos era particularmente vulnerável a doenças autoimunes. Eles descobriram que os camundongos tinham uma mutação em um gene que chamaram de Foxp3. Eles também demonstraram que mutações no equivalente humano desse gene causam uma doença autoimune grave, a IPEX.
Em 2003, Shimon Sakaguchi retornou a pesquisa do tema e relacionou a sua primeira descoberta com o trabalho dos estadunidenses. Ele provou que o gene Foxp3 funciona como mestre nas células T reguladoras. A falta do gene leva a uma resposta imunológica precária do sistema, o que cria doenças autoimune. Já o excesso possibilita o desenvolvimento e aumento do câncer.
As descobertas criaram um novo campo de pesquisa científica: a tolerância periférica. Essa área tem desenvolvido estudos para tratamentos médicos para câncer e doenças autoimunes. Também espera-se que cirurgias de transplante de órgãos se tornem mais bem-sucedidos. Segundo o comunicado do Nobel, vários desses trabalhos estão em fase de testes clínicos.
Outros tipos de células T foram descobertas, o que deu maior dimensão para o processo do sistema imunológico. As células T auxiliares fazem uma espécie de análise de cada molécula que está no corpo, verificando se há alguma infecção ou se estão livres.
Caso seja identificada uma doença, ela ordena o ataque coordenado de células T citotóxicas, que funcionam como um exército. Cada célula T citotóxica é feita para uma doença específica e se autocopiam sozinhas.
As células T reguladores, descoberta pelos cientistas laureados, é responsável por sinalizar que uma célula está saudável e não precisa ser atacada. Elas funcionam como uma barreira de contenção: a guerra fica desta linha para lá, do lado de cá está seguro.
Fontes
- ((pt)) Emilly Gondim. Nobel de Medicina é entregue para trio que descobriu o controle do sistema imunológico — TVT News, 6 de outubro de 2025
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