Nobel de Economia premia estudos sobre inovação e destruição criativa
13 de outubro de 2025
O Prêmio Nobel de Economia de 2025 foi concedido hoje (13) a três economistas que ajudaram a compreender como a inovação molda o desenvolvimento das sociedades modernas. Joel Mokyr (79), Philippe Aghion (69) e Peter Howitt (79) foram laureados por seus estudos sobre o crescimento econômico impulsionado pela inovação, um campo que conecta história, teoria econômica e ciência política para explicar por que algumas nações prosperam enquanto outras permanecem estagnadas.
Segundo a Academia Real das Ciências da Suécia, responsável pela premiação, os três pesquisadores “mostram de diferentes formas que a destruição criativa gera conflitos que precisam ser administrados de maneira construtiva”. A Academia alertou que, se esses conflitos forem bloqueados por empresas consolidadas ou grupos de interesse, “o progresso econômico pode ser freado”.
Os vencedores do Nobel de Economia dividirão 11 milhões de coroas suecas (cerca de R$ 6,4 milhões). Mokyr receberá metade do valor; a outra metade será dividida entre Aghion e Howitt.
Nascido na Holanda e professor na Universidade Northwestern, nos Estados Unidos, Joel Mokyr foi premiado por identificar as condições que permitem o crescimento econômico sustentado, aquele que se mantém ao longo de décadas sem longos períodos de recessão.
Em seus estudos históricos, Mokyr argumenta que o verdadeiro progresso só ocorre quando o conhecimento prático (“como fazer”) se conecta ao conhecimento científico (“por que funciona”). Essa interação, segundo ele, explica por que sociedades abertas ao debate e à curiosidade intelectual, como a Grã-Bretanha do século XIX, conseguiram transformar descobertas científicas em revoluções produtivas.
Antes da Revolução Industrial, entre 1300 e 1700, mesmo com invenções como o arado pesado ou os moinhos, economias como a do Reino Unido e da Suécia quase não cresciam. A partir do século XIX, o cenário muda: o crescimento anual médio de cerca de 2% se torna o novo padrão, dobrando a renda dos trabalhadores e ampliando a qualidade de vida.
Os outros dois premiados, Philippe Aghion — professor da London School of Economics — e Peter Howitt — da Brown University — receberam o Nobel por sua teoria do crescimento baseada na “destruição criativa”, conceito originalmente cunhado por Joseph Schumpeter no século XX.
Em um artigo publicado em 1992, Aghion e Howitt formalizaram matematicamente esse processo: novas inovações substituem as antigas, criando ciclos contínuos de renovação tecnológica. Para os autores, a inovação é “criativa” por gerar algo novo, mas “destrutiva” porque torna obsoletos produtos, empresas e empregos anteriores.
O modelo criado por ambos também mostrou que o investimento privado em pesquisa e desenvolvimento (P&D) tende a ser menor que o benefício social das inovações, justificando políticas públicas de incentivo, como subsídios e parcerias tecnológicas.
Os pesquisadores destacam que tanto o excesso quanto a falta de concorrência podem inibir o progresso: mercados muito concentrados desestimulam novas ideias, enquanto mercados excessivamente fragmentados reduzem o retorno do investimento em inovação.
Além disso, Aghion e Howitt defendem modelos de proteção social que acompanhem essa transformação. O sistema de “flexicurity”, adotado em países nórdicos, é citado por eles como exemplo: protege os trabalhadores sem preservar empregos obsoletos.
Os três laureados também enxergam na inteligência artificial (IA) uma nova fronteira para o crescimento. A tecnologia pode acelerar o acúmulo de conhecimento útil, mas, alertam, requer políticas que evitem consequências negativas, como o aumento da desigualdade, da poluição e das mudanças climáticas.
Para a Academia, os trabalhos de Mokyr, Aghion e Howitt “não apenas explicam o passado, mas apontam caminhos para o futuro da economia global”. Num momento em que países enfrentam estagnação produtiva e crise climática, a mensagem dos novos laureados é clara: o crescimento depende da capacidade de inovar, e de administrar, de forma justa e inteligente, a destruição que toda criação traz consigo.
Fontes
[editar | editar código]- ((pt)) Gabriel Valery. Nobel de Economia premia estudos sobre inovação e destruição criativa — TVT News, 13 de outubro de 2025
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