Na CPI dos Bingos Palocci nega as denúncias e diz que não sabe de nada

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Brasil • 26 de janeiro de 2006

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O Ministro da Fazenda Antonio Palocci compareceu nesta quinta-feira (26) à CPI dos Bingos para prestar explicações acerca do envolvimento de seus ex-assessores em supostas práticas ilícitas, entre elas: lavagem de dinheiro, extorsão, tráfico de influência e corrupção em órgãos públicos. Sobre as supostas práticas ilícitas de seus ex-auxiliares, Palocci disse que não sabia de nada, e que são falsas as denúncias que envolvem sua administração e o Ministério da Fazenda, e as arrecadações para campanhas políticas do Partido dos Trabalhadores (PT).

As declarações do ministro não foram muito diferentes daquilo que ele já havia dito em ocasiões anteriores. Palocci não trouxe nenhuma nova informação nova e limitou-se a dizer que as principais denúncias (dinheiro de Cuba, Caixa Econômica Federal, tráfico de influência, arrecadação irregular para o partido) eram todas elas falsas.Os parlamentares da CPI, por sua vez, evitaram pressionar o ministro.

O ministro Antonio Palocci atribuiu as denúncias a interesses políticos. É preciso ponderar o que existe nessas denúncias de fiscalização e o que há de luta política. Toda vez que alguém acha que vou ser candidato a alguma coisa, esses assuntos aparecem. Nesta eleição não serei candidato a nada, acho que estou contribuindo com meu país e, enquanto o presidente Lula achar importante, vou manter meu trabalho, disse Palocci, ao responder às perguntas do relator da CPI, Senador Garibaldi Alves (PMDB-RN).

O ministro desmentiu a notícia de que quando era prefeito de Ribeirão Preto teria arrecadado para o Partido dos Trabalhadores a quantia de R$ 50 mil mensais da empresa de limpeza Leão Leão.

Palocci negou a denúncia do envio de dinheiro de Cuba para a campanha do Presidente Lula em 2002: "Eu desconheço isso. Eu participei ativamente da campanha de Lula. Não houve dinheiro de Cuba. Nem de outros países. Isso me parece um pouco fantasioso."

Sobre Vladimir Poleto, encarregado do transporte de caixas de bebida (onde supostamente estariam os dólares cubanos) de Brasília para São Paulo, o ministro da Fazenda disse: "Encontrei com eles (Poleto) duas vezes. E soube depois que ele assessorava o Ralf. Não tinha contato". Palocci disse desconhecer os detalhes da operação envolvendo o transporte das caixas de bebida de Brasília para São Paulo. O ministro disse que não acompanhou o depoimento de Poleto para a CPI dos Bingos, com exceção de uma ou outra parte que viu depois nos jornais.

O líder do PSDB Senador Arthur Virgílio disse: - [Palocci] teria de ser mais incisivo, demitindo pessoas, até para mostrar que não tem rabo preso, ligadas a estes casos e que estão ainda na administração em torno dele. Segundo, processar, sim, todo e qualquer cidadão que ele julgue que o tenha ofendido. Perguntamos se Buratti era mentiroso, ele dizia: 'não falou a verdade a meu respeito'. Mas não dizia: 'é mentiroso'. Ou seja, faltou a indignação.

O líder do PFL no Senado, José Agripino, disse que o depoimento não foi convincente e que o Ministro Antonio Palocci deveria ser citado no relatório final da CPI. "Na minha opinião, não há como ele não ser citado no relatório, como conivente com a improbidade na melhor das hipóteses", declarou Agripino.

O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB) acompanhou o depoimento sentado ao lado de Palocci e disse que o ministro aparentou estar seguro e convincente. A opinião foi compartilhada pela Senadora Ideli Salvatti (PT).

No final do depoimento houve uma pequena discussão entre o Senador Aluízio Mercadante do PT com o Senador Arthur Virgílio (PSDB). Mercadante disse que a CPI dos Bingos está apequenando o papel de Antonio Palocci como ministro da Fazenda. Arthur Virgílio rebateu as declarações de Mercadante com vigor e disse que o senador petista não foi feliz em seus comentários.


Fontes