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Não é só no Egito: pirâmides de 22 metros são identificadas na Amazônia

De Wikinotícias

10 de fevereiro de 2026

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Os mistérios da Amazônia continuam a surpreender a ciência e a desafiar interpretações antigas do passado da região. Em 2022, uma equipe de pesquisadores alemães anunciou a descoberta de extensos assentamentos pré-coloniais na Amazônia boliviana, revelando uma ocupação muito mais complexa do que se acreditava anteriormente.

A pesquisa foi realizada com a ajuda da tecnologia LiDAR, que significa Light Detection and Ranging, um sistema de mapeamento a laser aerotransportado capaz de ver o terreno sob a densa vegetação da floresta. Usando essa técnica, os cientistas identificaram vestígios de cidades associadas à cultura Casarabe.

Acredita-se que essas sociedades tenham prosperado entre 500 e 1400 d.C., durante um período em que desenvolveram formas sofisticadas de organização social, arquitetura e gestão ambiental. As descobertas reforçam a ideia de que a Amazônia já abrigava civilizações complexas antes da chegada dos europeus.

No total, 26 assentamentos foram mapeados na região amazônica da Bolívia. Dois deles se destacam pelo tamanho e complexidade, enquanto os outros são considerados centros menores, possivelmente conectados por redes de caminhos, canais e áreas agrícolas.

Entre as estruturas identificadas estão pirâmides cônicas que chegam a até 22 metros de altura, plataformas retangulares elevadas e um elaborado sistema de reservatórios e canais. Essas construções indicam planejamento urbano avançado e uma forte capacidade de mobilizar mão de obra.

Os dados obtidos contradizem a visão tradicional de que a Amazônia Ocidental era pouco povoada durante o período pré-colonial. Pelo contrário, as evidências apontam para uma região densamente habitada, com sociedades capazes de modificar a paisagem de forma sustentável e organizada.

Pesquisadores classificam o modelo da cidade Casarabe como urbanismo de baixa densidade. Ao contrário das cidades modernas compactas, esses centros estavam espalhados por grandes áreas, integrando casas, espaços cerimoniais e sistemas agrícolas ao ambiente natural.

A gestão da água era um elemento central dessa forma de desenvolvimento urbano. Canais, valas e reservatórios permitiram o controle de inundações e garantiram a produtividade agrícola, demonstrando um profundo entendimento das condições ecológicas locais.

A tecnologia LiDAR foi decisiva para revelar essas estruturas que estavam ocultas há séculos. Ao emitir pulsos de laser de aeronaves, o sistema gera modelos tridimensionais do terreno, mesmo sob a copa das árvores. Como resultado, a ciência ampliou significativamente sua compreensão do passado da Amazônia e está reescrevendo a história de seus povos indígenas.

Além de mudar as percepções sobre o passado da Amazônia, as descobertas levantam novas questões sobre o colapso dessas sociedades e os impactos da colonização europeia na região. Doenças, deslocamentos forçados e o colapso dos sistemas produtivos podem ter levado ao rápido abandono desses centros urbanos. Para os pesquisadores, estudar as cidades Casarabe não apenas amplia o conhecimento histórico, mas também oferece lições valiosas sobre sustentabilidade, adaptação ambiental e uso equilibrado dos recursos naturais, temas cada vez mais urgentes nos debates contemporâneos sobre o futuro da Amazônia.