Morre aos 65 anos, o jornalista brasileiro Marcelo Rezende

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Marcelo Rezende ainda sem câncer.

16 de setembro de 2017

Morreu hoje, o jornalista e apresentador brasileiro Marcelo Rezende, do Cidade Alerta da RecordTV, às 17hs45min no Hospital Moriah. A causa da morte é falência múltipla dos órgãos em decorrência de complicações do câncer de pâncreas com metástase (reaparecimento do câncer após tratamento quimioterápico ocorrido alguns anos antes). Ele estava internado no Hospital Moriah desde o dia 13, depois de passar mal com pneumonia em sua residência. O jornalista tinha 65 anos e deixou quatro filhas e um filho (com idades entre 15 a 40 anos), cada um dos filhos com cinco mulheres diferentes, além de dois netos. Não foi divulgado quando ocorrerá o velório e enterro, mas é provável que isto aconteça amanhã.

No começo do mês de maio de 2017, Marcelo Rezende foi internado repetinamente no Hospital Albert Einstein. Isso gerou especulações sobre o seu estado de saúde, uma vez que não foram divulgados boletins médicos, provavelmente a pedido do próprio apresentador. Em 14 de maio, a RecordTV exibiu entrevista de Rezende para o programa Domingo Espetacular em que revelou o diagnóstico, semanas antes, de câncer pancreático com metástase no fígado.

Biografia

Antes de virar jornalista, seu pai era diretor de uma unidade para menores infratores e depois se tornou coordenador de uma escola, que era chamada de "serviço assistencial ao menor", que inclusive chegou a visitar por diversas vezes o local de trabalho.

Marcelo Rezende iniciou carreira jornalítica aos 17 anos (matriculado em curso técnico de mecânica) em 1968, quando foi visitar a redação do Jornal dos Sports no Rio de Janeiro, com o primo Merival Júlio Lopes, que trabalhava lá, ficando por dois anos.

Conseguiu rapidamente outro emprego, desta vez na Rádio Globo e em 1972, foi convidado para trabalhar como copidesque no jornal O Globo, tendo a oportunidade de aproximar-se do ídolo Nelson Rodrigues (1912-1980) e trabalhar com o futuro colega e amigo pessoal Tim Lopes (1950-2002).

Em 1980, foi convidado para a mais importante publicação da área de esportes, a revista paulistana Placar, da Editora Abril. Ficou nas reportagens daquela redação até 1988, cobrindo inclusive a Seleção Brasileira em duas Copas do Mundo (1982 e 1986). Chegou participar no programa Roda Viva, da TV Cultura (onde Ayrton Senna era o entrevistado) como entrevistadores convidados.

Em 1987, o repórter da revista Placar chegou à televisão, na área de esportes da Rede Globo, cobrindo os clubes do Rio de Janeiro e participando das transmissões dos jogos, como a Copa América de 1989, na equipe liderada por Galvão Bueno e o humorista Chico Anysio (1931-2012), onde a Seleção Brasileira ganhou título depois de 40 anos.

No entanto, a então diretora-executiva de jornalismo Alice-Maria (hoje aposentada) e o diretor-geral Armando Nogueira (1927-2010), tinham outros planos e ele foi transferido para a editoria "Geral", sem nenhuma cobertura de esporte. A primeira cobertura policial foi o assassinato de um dos empresários mais ricos do Rio de Janeiro, José Carlos Nogueira Diniz Filho, em 1989. Foi onde o instinto investigativo de repórter apareceu. Mas continuou na "Geral", fazendo fontes. Participou da transmissão do festival de música Rock in Rio da segunda edição em 1990, fez reportagem sobre a primeira rede de telefonia celular do Brasil em 1991 e participou da cobertura do funeral de Ayrton Senna, em São Paulo em 1994.

Ao conviver ambiente e convívio social dos criminosos, se apresentaria em reportagens investigativas e coberturas jornalísticas: a prisão dos sequestradores do empresário Roberto Medina, a busca ao paradeiro de PC Farias (1993), o crescimento e as invasões do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) no Governo do presidente Fernando Henrique Cardoso (1995-2003), a indústria da pirataria fonográfica chinesa e as primeiras denúncias de corrupção na Confederação Brasileira de Futebol (CBF), ambas no final dos Anos 90.

Em 31 de março de 1997, o Jornal Nacional exibiu com exclusividade, com a advertência do apresentador William Bonner ao público das cenas que seriam mostradas, o caso dos dez policiais flagrados por cinegrafista amador, torturando e atirando em pessoas durante operações na Favela Naval, localizada em Diadema, perto de São Paulo (realizadas nos dias 3, 5 e 7 do mesmo mês), com narração e reportagem de Rezende. As chocantes cenas repecutiram em todo o país e no exterior, levaram a prisão e condenação dos envolvidos, como também a mudança na questão dos direitos humanos no Brasil, hoje muito criticada e repudiada pela opinião pública brasileira por dar mais atenção aos criminosos do que as vítimas.

Em 1999, estreou no horário nobre, o programa semanal Linha Direta (às quintas-feiras) como apresentador, sendo um dos criadores da nova versão do programa. O programa policial de suspense e mistério tinha oficialmente o objetivo de combater a impunidade ao destacar casos que tivessem transitado na Justiça e sido julgados, com condenados foragidos, e por meio das simulações de crimes dramatizados por atores, com base no inquérito, no processo e no depoimento de amigos e familiares.

Porém, meses antes, gerou polêmica a exibição no Fantástico, a entrevista exclusiva do Maníaco do Parque, com trilha de suspense e análises de psicólogos e até astrólogos, que levou a suspeita de ser um programa policial do que uma simples reportagem. A polêmica levou a Globo adimitir que era uma espécie de "piloto" (programa teste).

Permaneceu na Globo até final de 2001, quando deixou a emissora e foi parar na RedeTV!, apresentando outro programa policial o Repórter Cidadão, de 2002 a 2004. Em 8 de setembro de 2003, um dia após o Escândalo Gugu-PCC, foi o primeiro a afirmar ser fraude o vídeo em que ele é citado por dois homens que se diziam ser facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC), alegando que os indivíduos não tinham linguagem marginal (na qual ele costuma conviver ou ouvir), já que geralmente os criminosos costumam falar errado na língua portuguesa. A confirmação dessa farsa só iria acontecer só quase duas semanas depois pela Polícia Civil de São Paulo.

Entre 2004 a 2012, passou por três redes de TVs: em 2004, foi contratado pela Rede Record (atual RecordTV), apresentando outro programa policial Cidade Alerta até 2006, quando voltou para RedeTV! e apresentado o telejornal RedeTV! News até 2008, quando pediu demissão da emissora. Passou o ano de 2009 sem aparecer na televisão, até ser contratado pela TV Bandeirantes e em 2010, na apresentou o Tribunal na TV, semelhante ao Linha Direta por causa das dramatizações de histórias (mas desta vez somente do ponto de vista do judiciário) e o cenário era similar a um tribunal e não tinha o objetivo de encontrar fugitivos. Passou o ano de 2011 sem aparecer na televisão até voltar a Record em 2012 com Cidade Alerta.

Em maio, depois de ser internado e a revelação do diagnóstico, passou a usar suas redes sociais, o Facebook e Instragram, para anunciar seu afastamento temporário do trabalho para fazer o tratamento e divulgar vídeos informando sobre sua luta contra a doença, onde demonstrou sua fé em Deus (entre eles, chegou a declarar que vai fazer um retiro espiritual) e pediu energia do público para que vencesse a batalha.

O uso das redes sociais era visto como forma de combater notícias falsas (ou "fake news") na internet sobre real estado de saúde. No entanto, nos últimos meses e semanas, já aparentava mais fraco e magro do que na época do afastamento, o que levava a suspeita de que o "tratamento alternativo" não estava dando resultado e que escondia que a saúde era grave do que era divulgado, o que contribuiu para sua morte.

Fontes

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