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Maduro ordena novos exercícios militares após Nobel da Paz concedido a opositora venezuelana

De Wikinotícias

11 de outubro de 2025

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Nesse sábado (11), o presidente venezuelano Nicolás Maduro declarou o início de novos exercícios militares como resposta ao movimento de forças navais dos Estados Unidos para o sul do Caribe, perto da costa da Venezuela. A decisão acontece um dia depois de María Corina Machado, líder da oposição, receber o Prêmio Nobel da Paz em reconhecimento ao seu trabalho político em meio à repressão e crise institucional no país.

As operações, conhecidas como "Independência 200", mobilizam forças regulares, milicianos e recursos militares em regiões estratégicas como La Guaira e Carabobo, com a finalidade explícita de defender o território nacional contra o que o governo considera uma "escalada militar" por parte dos Estados Unidos. Desde agosto, Washington tem mantido oito embarcações de guerra e um submarino nuclear na área, oficialmente como parte de uma operação de combate ao narcotráfico.

Apesar de o governo dos Estados Unidos declarar que a presença militar visa a segurança regional, Caracas interpreta essa movimentação como uma ameaça direta à sua soberania. Em uma reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU, representantes da Venezuela afirmaram que os Estados Unidos estariam planejando ações ofensivas "a curto prazo".

A crise ganhou um novo elemento com a concessão do Nobel à opositora María Corina Machado. O Comitê Nobel reconheceu a líder do partido Vente Venezuela, atualmente vivendo na clandestinidade, por sua "coragem cívica" frente à repressão política. Contudo, sua relação próxima com o presidente Donald Trump, a quem homenageou com o prêmio, provocou reações variadas dentro e fora da Venezuela.

Trump, que reassumiu a presidência dos Estados Unidos em janeiro, declarou ter conversado com Machado após o anúncio do prêmio, mencionando que ela teria afirmado aceitar o Nobel "em sua homenagem". O presidente, que há anos se atribui o mérito por ações de paz globais, reiterou suas críticas ao Comitê Nobel por não tê-lo agraciado, acusando-o de agir por interesses políticos.

Maduro, que ainda não comentou sobre o Nobel, critica o "cerco" imposto pela administração de Trump. Washington justifica a utilização de seu "poderio militar" na batalha contra alegadas organizações de narcotráfico ligadas a funcionários da Venezuela.

"Estamos então ativados a partir da meia-noite nas zonas de defesa integral Anzoátegui, Monagas e Bolívar, um corredor vital do país que vai desde o Mar do Caribe até o Orinoco e até o sul da fronteira com o Brasil", publicou Maduro no Telegram.

Machado apoia as operações militares norte-americanas. O Nobel foi dedicado "ao povo sofrido da Venezuela" e ao presidente Trump.

Trump falou com Machado algumas horas depois de seu governo declarar que o comitê do Nobel "demonstrou que prioriza a política sobre a paz" ao não conceder-lhe o prêmio. A adversária venezuelana afirmou a Trump que ele "merecia" o Nobel.

Fontes