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Macron pede prazo de 48 horas para tentar evitar nova dissolução da Assembleia

De Wikinotícias

6 de outubro de 2025

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Nessa segunda (6), poucas horas depois de o primeiro-ministro Sébastien Lecornu anunciar sua renúncia, o presidente francês Emmanuel Macron solicitou que ele permanecesse no comando dos assuntos administrativos e liderasse as negociações até quarta-feira (8) para tentar estabelecer "uma nova base de apoio político". Lecornu, de 39 anos, foi o chefe de governo mais breve da história recente da França, permanecendo no cargo por apenas 27 dias. Ele também foi o sétimo primeiro-ministro nomeado por Macron desde que este assumiu o Palácio do Eliseu em 2017.

O país entrou em um período de intensa instabilidade política desde junho de 2024, quando Macron desfez a Assembleia Nacional — que é equivalente à Câmara dos Deputados no Brasil — e convocou novas eleições. O partido do presidente e seus aliados de centro-direita perderam a maioria no plenário e agora precisam formar alianças para governar. Contudo, nenhum dos governos estabelecidos desde então foi capaz de reunir uma maioria estável e suficiente para governar.

Na segunda-feira (6), Macron declarou estar pronto para "assumir suas responsabilidades". Ele aceitou a renúncia de Lecornu, mas solicitou que ele permanecesse no cargo até que a última rodada de negociações com a oposição seja concluída.

De acordo com fontes próximas ao presidente, essa afirmação sugere que Macron pode estar considerando uma nova dissolução da Assembleia Nacional, como ocorreu em 2024, caso não consiga estabilizar o governo.

Lecornu apresentou sua demissão um dia após a nomeação de seu governo e menos de um mês após assumir o cargo. Ele alegou que "as condições para ser primeiro-ministro não estão reunidas".

Macron, cujo mandato se encerra em maio de 2027, tem rejeitado de forma constante a possibilidade de renunciar ou convocar eleições antecipadas, nomeando um novo primeiro-ministro após cada queda.

Contudo, para muitos, à terceira é de vez, e cresce o número de pessoas exigindo a renúncia de Macron.

"Esta piada já durou demasiado tempo, a farsa tem de acabar", afirmou Marine Le Pen, líder do partido de extrema-direita Rassemblement National (RN), exigindo que Macron escolha entre renunciar ou dissolver o governo.

Mathilde Panot, do partido de extrema-esquerda La France Insoumise, declarou: "A contagem decrescente começou. Macron precisa de sair".

Entretanto, Macron ainda não parece ter desistido. Ele solicitou a Lecornu que conduza "as negociações finais" até a noite de quarta-feira "para definir uma plataforma de ação e estabilidade para o país".


Fontes