Macron diz que Europa não pode depender da proteção dos Estados Unidos
24 de abril de 2026
Nessa quinta (23), o presidente da França, Emmanuel Macron, afirmou que a Europa não pode mais contar com a proteção dos Estados Unidos a longo prazo. Ele reiterou a necessidade de o continente reforçar sua autonomia militar e tecnológica.
A afirmação foi feita durante um encontro com alunos de uma escola franco-cipriota em Nicósia, onde o líder francês está em visita oficial antes de uma cúpula informal com outros líderes europeus.
"O desafio para nossa Europa é ser mais forte e mais independente, porque temos uns Estados Unidos que já não nos protegerão no longo prazo", declarou Macron, conforme reportado pela agência EFE. De acordo com ele, a geração atual de europeus não pode mais considerar garantida a noção que fundamentou a criação do bloco europeu após a Segunda Guerra Mundial, de que Washington garantiria a proteção contínua do continente.
O presidente francês enfatizou que os Estados Unidos permanecem como aliados da Europa, o que ele considerou "fundamental". Mesmo assim, ele observou que a política internacional dos Estados Unidos está passando por mudanças significativas, o que exige que os países europeus adotem uma nova abordagem em relação à sua própria defesa.
Para embasar essa análise, Macron mencionou a participação dos Estados Unidos no conflito contra o Irã em apoio a Israel, as tensões entre a União Europeia e Washington relacionadas à Groenlândia e a postura dos Estados Unidos em relação à guerra na Ucrânia. Na perspectiva do francês, esses acontecimentos indicam uma alteração na estratégia da atuação global americana.
Na última sexta-feira, ao receber os líderes do Reino Unido, Alemanha e Itália no Palácio do Eliseu, em Paris, o presidente francês Emmanuel Macron indicou que a Europa havia encontrado um papel significativo a desempenhar no conflito com o Irã.
Eles se encontraram com representantes de quase 50 países para debater como restabelecer a liberdade de navegação no Estreito de Ormuz, uma missão militar complexa que fortalece a percepção da Europa como defensora do direito internacional em um período de crescente anarquia. Contudo, após um fim de semana conturbado, a Europa se encontra novamente na mesma situação em que estava há 52 dias, quando o conflito teve início: observando de longe.
O Irã e os Estados Unidos continuam a controlar o estreito, uma situação que se tornou ainda mais clara apesar dos líderes europeus terem mobilizado seus colegas em Paris. Durante a reunião em Teerã, o ministro das Relações Exteriores do Irã declarou que a hidrovia havia sido reaberta. Isso levou o presidente Trump a celebrar nas redes sociais o fato de que o estreito estava "PRONTO PARA NEGÓCIOS".
Logo, os dois países em desacordo contradisseram essas afirmações. Os Estados Unidos apreenderam um navio de bandeira iraniana que tentava cruzar o estreito, ao passo que o Irã disparou tiros de advertência contra diversas embarcações, entre elas uma francesa. O estreito continua fechado, impedindo os planos europeus para o período pós-guerra.
"Este tem sido um período bastante difícil para a Europa", afirmou Célia Belin, diretora do escritório do Conselho Europeu de Relações Exteriores em Paris, e que "enquanto os europeus não estiverem dispostos a jogar o jogo brutal, usando a força para atingir seus objetivos, eles não terão tanta importância".
Fontes
- ((pt)) Macron diz que Europa não pode depender da proteção dos EUA — Gazeta do Povo, 24 de abril de 2026
- ((en)) Europe Wanted a Say on the Iran War, but It’s Still on the Sidelines — The New York Times, 21 de abril de 2026


