Líderes do Mercosul e da UE assinam Acordo Comercial provisório
18 de janeiro de 2026
Festejado ontem no Brasil e nos outros países do Mercosul (Argentina, Paraguai e Uruguai) como o Acordo Comercial Mercosul-UE, o bloco europeu (União Europeia - UE) foi mais cauteloso, recordando que o trato assinado ontem no Paraguai é um Acordo Comercial Interino (iTA) que ainda precisa da aprovação final do Parlamento Europeu e a ratificação por todos os Estados-Membros da UE para ser concluído.
Os representantes dos dois blocos também assinaram o Acordo de Parceria UE-Mercosul (EMPA), que igualmente precisa de aprovação final.
Se finalizado, o Acordo Comercial Mercosul-UE permitirá que mais de 90% dos produtos exportados pelo Mercosul entrem em países da UE com impostos reduzidos. "O acordo oferece reduções tarifárias e abre o acesso a novos mercados para uma ampla gama de bens e serviços. Setores-chave como agricultura, automotivo, farmacêutico e químico se beneficiarão de melhores condições comerciais", diz o comunicado da UE.
O valor estimado anualmente nos negócios bilaterais é de mais de 60 bilhões de dólares.
Alguns setores da EU, como o da Agricultura, no entanto, não concordam com o Acordo, estimando que perderão espaço para produtos que virão mais baratos do Mercosul (Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai).
Salvaguardas para a Agricultura
Até que um regulamento específico de salvaguardas entre os blocos esteja concluído, a UE acordou que poderão ser aplicadas medidas de salvaguarda bilaterais ao abrigo do Acordo Internacional sobre Comércio (AIC) para produtos agrícolas, principalmente produtos agrícolas sensíveis.
"Essas medidas temporárias garantem um alto nível de proteção para os agricultores e o setor agroalimentar da UE durante o período de transição", diz o comunicado da UE.
Maior zona de livre comércio do mundo
O acordo criará a maior zona de livre comércio do mundo, abrangendo um mercado de mais de 700 milhões de consumidores. A UE é o segundo maior parceiro do Mercosul no comércio de bens, representando quase 17% do comércio total do Mercosul em 2024. Nesse ano, o comércio da UE com o Mercosul ultrapassou € 111 bilhões: € 55,2 bilhões em exportações e € 56 bilhões em importações, com o comércio de bens entre os dois blocos crescendo mais de 36% desde 2014. Em 2023 (o ano mais recente para o qual há dados disponíveis), o comércio de serviços entre a UE e o Mercosul ultrapassou € 42 bilhões.
As negociações para um acordo de associação entre a UE e o Mercosul começaram em 1999. Foram concluídas com sucesso em 6 de dezembro de 2024 e resultaram em dois instrumentos paralelos e juridicamente distintos: o Acordo de Parceria UE-Mercosul (EMPA), que combina os pilares do diálogo político, da cooperação e do comércio, e o Acordo Comercial Interino (iTA), que contém os compromissos comerciais e de investimento, concebido para ser aplicado antes da entrada em vigor do EMPA.
Em 17 de dezembro de 2025, o Conselho e o Parlamento Europeu chegaram a um acordo provisório sobre o regulamento relativo às salvaguardas bilaterais UE-Mercosul. O acordo terá de ser aprovado e adotado por ambas as instituições antes de entrar em vigor.
Longo caminho
Ao longo de 25 anos, já houve diversas tentativa de se chegar ao Acordo final, inclusive em final de 2024.
Lula: "escolhemos um caminho diferente"
Em artigo publicado na sexta-feira (16/1), em 27 jornais europeus e do Mercosul, Lula da Silva disse que "não existe economia isolada", que "todos querem crescer e que "a nova parceria irá criar oportunidades mútuas de emprego, geração de renda, desenvolvimento sustentável e progresso econômico", adicionando que "em uma época em que o unilateralismo isola mercados e o protecionismo inibe o crescimento global, duas regiões que compartilham valores democráticos e a defesa do multilateralismo escolhem um caminho diferente".
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