Jornalistas angolanos denunciam aperto à imprensa em ano pré-eleitoral

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20 de julho de 2021

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Jornalistas angolanos que nos últimos meses têm estado a ser notificados pelos órgãos de justiça debaterem nesta terça-feira, 20, a sua situação a um ano das eleições gerais.

Todos os participantes do projecto Debate da Comunidade dizem que não é um fenómeno novo porque sempre que se avizinham as eleições a imprensa, sobretudo a mais crítica ao regime, sofre com aliciamentos, processos judiciais e encerramentos de órgãos de comunicação, entre outras formas de coação.

Há quem considera que a situação é agora ainda pior.

Vários são os jornalistas que nos últimos meses têm feito morada na Procuradoria-Geral da República (PGR) ou no Serviço de Investigação Criminal (SIC) para responderam a acusações de difamação no exercício da atividade jornalística, entre eles Mariano Brás, Lucas Pedro, Coque Mukuta e Escrivão José, entre outros.

Francisco Rasgado, em Benguela, por exemplo, foi preso.

"Sempre nos anos pré-eleitorais acontece isso, já foi assim no consulado de José Eduardo dos Santos, quando havia cães, todo o aparato militar para intimidar as pessoas, sobretudo os jornalistas", lembrou Luis Pedro, do portal Club-K, para quem o regime do MPLA sempre primou por estas práticas quando se avizinham as eleições.

Escrivão José, do Jornal Hora H, já foi notificado duas vezes este ano para depor e, para ele, “nota-se um certo desespero de quem governa, que vai usando esses artifícios para manter o domínio”.

“Aos jornalistas, aconselho a não ficarem apenas pelo jornalismo, dei o meu exemplo, tive de vender água, abrir recauchutagem porque se dependesse apenas do jornalismo já estaria fechado", afirmou aquele profissional, enquanto para Guilherme da Paixão, jornalista do MISA-Angola, houve um enorme retrocesso nos últimos anos em termos das liberdades.

Fontes

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