Jornalista sobrevivente do Khmer vermelho morre aos 65 anos

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1 de abril de 2008

O jornalista cambojano Dith Pran que fugiu dos campos de concentração do Khmer Vermelho em 1979 morreu na manhã do último domingo (30) no Hospital de New Jersey de câncer pancreático. Ele tinha 65 anos. A informação foi divulgada à imprensa pelo amigo de Pran, o jornalista Sydney Schanberg.

Com a saída dos EUA da Guerra do Vietnã os comunistas assumiram o controle deste último e do vizinho Camboja. No Camboja o fanatismo revolucionário comunista cresceu ao ponto de levar ao extermínio de pelo menos 2 milhões de pessoas, numa população de 7 milhões. Nessa época, mais especificamente em 1975, Sydney Schanberg trabalhava como correspondente do The New York Times em Phnom Penh, capital do Camboja. Pran atuava como intérprete e auxiliava Schanberg. Pran, da mesma forma que muitos da sua nacionalidade, acabou preso e foi parar num dos campos de concentração do Khmer, ou como ele mesmo denominou: campo da morte.

Quatro anos e meio depois, Pran conseguiu fugir do Khmer e com a ajuda de Schanberg estabeleceu-se nos EUA, onde começou a trabalhar como fotógrafo. A fuga de Pran acabou por inspirar o filme de 1984: The Killing Fields ("Os Gritos do Silêncio", no Brasil), dirigido por Roland Joffé.

O terror cambojano

Vítimas da época do Khmer Vermelho (Museu Tuol Sleng).

O Livro Negro do Comunismo traz uma coletânea dos acontecimentos no Camboja durante o regime do Khmer:

  • Escolas e hospitais desapareceram.
  • Canibalismo:Haing Ngor relata a extirpação, numa prisão, do feto, do fígado e dos seios de uma mulher grávida assassinada; o feto é jogado fora(onde outros já se encontravam secando dependurados na beirada do telhado do cárcere), o resto é levado, com esse comentário:"Esta noite temos fartura de carne!"
  • Pena capital para pequenas faltas: Podia-se perder a vida por deixar um boi fugir, e ser torturado até a morte por ter batido em um.
  • Pais eram separados dos filhos e das esposas.
  • Frieza:Chegavam ao assassinato sem perderem a cortesia. Administravam a morte com palavras afáveis.
  • Infanticídio: perto da prisão havia um pântano; os carrascos atiravam para lá os pequenos prisioneiros [crianças], empurravam-nos para o fundo com os pés..
  • Paranóia: num único distrito, 40.000 dos 70.000 habitantes foram exterminados porque seriam traidores que colaboravam com a CIA.
  • Pouco valor da vida humana: Matavam-se constantemente homens e mulheres para fazer adubo. Enterravam-se os cadáveres em valas comuns que eram onipresentes nos campos de cultivo, sobretudo nos de mandioca.


Referências

  • Stéphane Courtois, Nicolas Werth e outros, O Livro Negro do Comunismo, Editora Bertrand Russel (Brasil). Quarta Parte: Comunismos da Ásia: entre "reeducação" e massacre.
  • Relatos de alguns dos sobreviventes do Khmer Vermelho. Digital Archive Of Cambodian Holocaust Survivors (em inglês).

Fontes