Jornais e sites de notícias do mundo repercutem o caso da excomunhão do arcebispo por causa do aborto feito pelos médicos à menina de nove anos

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6 de março de 2009

O caso da menina de 9 anos que sofreu aborto e a decisão do arcebispo de Olinda e Recife, dom José Cardoso Sobrinho, de excomungar após a interrupção da gravidez, mãe dela e os médicos envolvidos interrupção da gravidez (respectivamente dia 4), a declaração de ministros do presidente Lula (dia 5) contra excomungação, ganhou destaque na imprensa internacional.

É o caso do jornal italiano Corriere della Sera, que deu destaque para a excomunhão de todos que participaram do processo do aborto pelo arcebispo de Recife e Olinda, d. José Cardoso Sobrinho. Segundo o jornal, d. José, que não tem autoridade para realizar excomungações, "encontrou apoio no Vaticano."

Segundo o padre Gianfranco Grieco, da sede do Conselho Pontifício para a Família, entrevistado pelo jornal, "é muito, muito delicado, mas a Igreja nunca pode trair sua missão, que é defender a vida desde a concepção até à morte natural, mesmo em face de um drama humano tão forte como o da violência de uma criança."

O jornal também lembra outro caso semelhante, de uma menina de 11 anos em Iraí, a 480 de Porto Alegre, capital do Rio Grande do Sul, que está no sétimo mês de gravidez e era violentada por um parente próximo.

O espanhol El País publicou uma matéria mais longa sobre o assunto, destacando o confronto entre Estado e Igreja no caso. Segundo o jornal, "o episódio colocou o Estado e a Igreja Católica em lados opostos, em um país onde os papéis de ambos não costumam homogeneizar."

O El País colocou, do lado do Estado, as declarações do ministro José Gomes Temporão de quinta-feira, 5, em que ele se diz abalado e chocado com o episódio. Do lado da Igreja, o jornal reproduziu as declarações de d. José em defesa do Direito Canônico.

O site espanhol "Elpais.com", que também fez reportagem sobre o caso, o arcebispo disse, por telefone, que tem o dever de "alertar o público, para que tenham temor às leis de Deus".

Já o jornal norte-americano The New York Times contou o caso sucintamente, falando menos aspecto religioso e dando destaque ao fato de que, segundo Fátima Maia, diretora do hospital onde o aborto foi realizado, "a gravidez representa um sério risco para a saúde da menina."

A rede de TV inglesa "BBC" informou que o aborto é permitido no Brasil, nos casos de violência sexual e quando a vida da mãe corre risco. O texto afirma que os médicos disseram que a menina de 9 anos estava incluída nos dois casos.

O "Daily Mail" lembra que o advogado da arquidiocese pernambucana, Márcio Miranda, afirma que "não matar" é uma lei de Deus. A publicação diz ainda que "há mais católicos no Brasil do que em qualquer outro país do mundo".

O caso também continua causando polêmica no Brasil. O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, falou sobre o assunto na quinta-feira (5). "Ao defender levar a gravidez até o fim, estaria se colocando a vida dessa menina em risco. Há uma questão extremamente grave e eu fiquei impactado com os dois eventos: a agressão contra a menina e a posição desse bispo, que realmente é lamentável."

Em resposta, o arcebispo disse que não se arrepende de ter falado em excomunhão e ter se colocado contra o aborto. "Eu me arrependeria se não tivesse feito isso. Seria um pecado de omissão".

Em Portugal, vários sites e jornais deram destaque há três dias.

Fontes