Jordânia: Rei Abdullah diz que crise em torno da tentativa de golpe foi resolvida

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9 de abril de 2021

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Rei Abdullah II

O Rei Abdullah II da Jordânia emitiu um comunicado no dia 07 passado afirmando que o reino está seguro. "A sedição foi cortada pela raiz e nossa orgulhosa Jordânia está segura e estável", diz o monarca no anúncio.

O comunicado oficial veio apenas 4 dias após a imprensa divulgar que o irmão do Rei, o Príncipe Hamzah, estava entre os líderes de uma tentativa de golpe de estado para destituir Abdullah. Sobre isto, o rei expressou que "o desafio dos últimos dias não foi o mais difícil ou perigoso para a estabilidade de nossa nação, mas para mim foi o mais doloroso. A sedição veio de dentro e de fora da nossa casa, e nada se compara ao meu choque, dor e raiva como irmão e como chefe da família haxemita e como líder deste povo orgulhoso".

Ele também se referiu à "dedicação de nosso valente Exército Árabe e agências de segurança trabalhando dia e noite para proteger a pátria".

Intriga familiar ou interferência estrangeira?

Segundo o ex-diplomata italiano Marco Carnelos, que recentemente foi coordenador do processo de paz no Oriente Médio para a Síria e embaixador da Itália no Iraque, para o Middle East Eye, apesar de Hamzah e Abdullah não se darem bem, com o primeiro nunca tendo perdoado o irmão por este ter lhe tirado o título de Príncipe Herdeiro da Jordânia, a possibilidade de interferência estrangeira, precisamente de Israel e da Arábia Saudita, não pode ser descartada.

A questão envolve o que Carnelos chamou de "enigma geopolítico", com a Jordânia e a Arábia Saudita tentando conviver com animosidades históricas envolvendo o islamismo. "Os haxemitas nunca perdoarão a usurpação saudita [das cidades sagradas Meca e Medina], e os sauditas nunca considerarão os haxemitas como descendentes diretos do Profeta Maomé; assim, eles sempre se desprezarão", escreveu.

Já com relação à Israel, segundo o diplomata, o principal conflito seria o fato da Jordânia não ter aderido ao Acordo de Abraão (entre Israel, Emirados Árabes Unidos e Bahrein, e mais tarde Sudão e Marrocos), apoiados pela Arábia Saudita, com o reino haxemita preferindo defender a causa dos palestinos.

Carnelos também afirma que alguns políticos israelense contrários à criação do Estado da Palestina "querem fazer da Jordânia o futuro estado palestino, permitindo que Israel prossiga mais facilmente com a anexação total da Cisjordânia".

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