Jobim afirma que ação de militares do Exército no Rio foi inconseqüente e inadmissível

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Agência Brasil

17 de junho de 2008

O ministro da Defesa, Nelson Jobim, afirmou ontem (16) que a ação dos militares do Exército, que levaram três jovens presos no Morro da Providência para o Morro da Mineira e os entregaram a uma quadrilha de traficantes foi “inconseqüente, inadmissível e que deverá ser repreendida de forma exemplar”.

O ministro não quis responder se os 11 militares serão expulsos do Exército. Disse apenas que poderão responder por homicídio. “Vamos esperar o desenvolvimento do caso, mas evidente que há uma indagação sobre se, efetivamente, a causa da morte desses rapazes teve como origem sua entrega a uma facção rival. Aí poderíamos inclusive falar em co-autoria [na morte dos jovens]”, disse.

O ministro Jobim disse que recebe informações diárias sobre o andamento do Inquérito Policial Militar (IPM) instaurado ontem (15) para investigar as circunstâncias em que Marcos Paulo Rodrigues, de 17 anos de idade, Wellinghton da Costa, de 19 anos, e David da Silva, de 24 anos, foram mortos.

“Evidente que tudo tem que ser conduzido dentro dos trâmites judiciais típicos, mas a leitura dos depoimentos já colhidos nos leva à indignação”, afirmou o ministro.

Segundo Jobim, três militares já foram ouvidos até o começo da noite desta segunda-feira (16) - um tenente, um sargento e um soldado, de acordo com o delegado titular da 4ª Delegacia de Polícia, Ricardo Dominguez, responsável pelo inquérito.

Além dos três, outros oito soldados estão presos no Primeiro Batalhão da Polícia do Exército, na rua em Barão de Mesquita, na zona norte, por determinação do Tribunal de Justiça do Rio de janeiro.

Segundo o ministro, o tenente já ouvido pelo delegado teria admitido ter entregue os três rapazes a traficantes do Morro da Mineira, dominado por uma facção rival a que atua no Morro da Providência, onde os jovens viviam.

Entregues vivos, conforme a versão do tenente, no último sábado (14), os corpos de Rodrigues, Costa e Silva foram encontrados no Lixão de Gramacho, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense.

“Pelo que soube da declaração do tenente, ele admitiu ter tomado a decisão independente da determinação de seu superior, que havia determinado que os jovens [detidos por desacato a autoridade] fossem libertados”, disse Jobim, acrescentando que o tenente “resolveu conduzir os três jovens ao Morro da Mineira para, segundo ele próprio, dar um susto nos jovens”.

O ministro manifestou indignação com a conduta dos militares. “Mostram absoluta falta de respeito à pessoa humana. Isso deverá ter uma reação não apenas da sociedade, mas também do Poder Judiciário, no sentido de coibir condutas desta natureza”.

O ministro disse que não há sinalização para que o Exército deixe o Morro da Providência, onde está desde 2007, onde fazem a segurança de uma obra de urbanização.

“Temos que verificar quais são as conseqüências desse fato em relação às ações praticadas pelo Exército no Morro da Providência, mas ainda é cedo para examinarmos isso”, disse.

Nelson Jobim classificou o comportamento dos militares como um caso isolado.

“Não podemos tomar ações isoladas dessa natureza para justificar uma situação. Basta ver o que se passa no Haiti, onde temos absoluta tranqüilidade. Não podemos pegar um caso isolado, praticado por personagens absolutamente irresponsáveis, e contaminar as ações do Exército”.


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