Islamitas da Somália param conversações de paz com o governo

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Mapa da Somália.

22 de julho de 2006

A União dos Tribunais Islâmicos interrompeu as conversações de paz com o governo provisório da Somália. O país está cada vez mais perto de um grande conflito militar.

Os islamitas atribuíram a culpa pelo fim das negociações à entrada de soldados da Etiópia. Em uma declaração para a imprensa nesta manhã, o Xeique e líder da União dos Tribunais Islâmicos, Sharif Ahmed, disse: "não negociamos com um governo que está sendo ajudado pelo inimigo da Somália."

Os dois lados estiveram relutantes em continuar as conversações que passaram a ficar mais hostis neste final de semana. As negociações acontecem no Sudão, na capital sudanesa, Cartum.

O enfraquecido governo provisório conduzido pelo Presidente Abdullahi Yusuf está atualmente sediado na cidade somali de Baidoa, ao norte da capital Mogadíscio, que foi capturada pelas milícias islâmicas há algumas semanas. A União dos Tribunais Islâmicos controla a maior parte sul da Somália.

O esgotamento das conversações ocorre no mesmo instante em que um relatório de testemunhas que estão na região alega que mais tropas etíopes cruzaram a fronteira. A estimativa é que aproximadamente 5 mil soldados etíopes estão estacionados agora no país, tentando proteger o frágil governo do Presidente Yusuf. A BBC está informando que 200 tropas etíopes capturaram um campo de pouso nas redondezas de Waajid no início da manhã. O governo etiópe ainda tem de confirmar a informação. A Etiópia por enquanto nega haver uma intervenção militar na Somália. Ainda não se tem certeza se houve lutas na cidade.

O envolvimento de Etiópia irritou a milícia islâmica que jurou "uma guerra santa" contra o estado de maioria cristã caso ele continue a enviar soldados. A Etiópia, por sua vez, ameaçou "esmagar" as tentativas dos islamitas em tomar Baidoa.

A crescente crise no Chifre da África pode ficar ainda mais complexa, com a Eritréia, vizinha hostil da Etiópia, ameaçando fornecer armas para a milícia islâmica.

"O apoio da Eritréia é a espinha dorsal da estrutura militar dos islamitas," disse um analista político local que não foi identificado para a agência Reuters.

John Prendergast, do International Crisis Group advertiu que "o risco de uma guerra de grandes proporções aumenta a cada dia."

Fontes