Irmão de Celso Daniel, ex-prefeito do PT, diz que seu irmão foi morto por causa de dossiê

Origem: Wikinotícias, a fonte de notícias livre.
Ir para: navegação, pesquisa

29 de junho de 2005

Brasil

 O oftalmologista João Francisco Daniel, irmão do prefeito de Santo André assassinado, alega que seu irmão foi morto por causa de um dossiê sobre corrupção na prefeitura que administrava.

Celso Daniel, foi prefeito pelo Partido dos Trabalhadores (PT), da cidade de Santo André, na região do ABC, em São Paulo, uma das áreas mais industrializadas do Brasil. Ele foi assassinado em janeiro de 2002. Até hoje a polícia não conseguiu encerrar o caso que envolve suspeitas e denúncias de envolvimento político.

Segundo João Francisco, seu irmão Celso Daniel, quando era prefeito, tinha conhecimento e era conivente de um esquema de corrupção na prefeitura, que desviava dinheiro para o Partido dos Trabalhadores. O esquema de corrupção supostamente envolvia integrantes do governo municipal e empresários do setor de transportes. O ex-Ministro e atual deputado federal pelo PT José Dirceu supostamente também sabia e supostamente participava do esquema. José Dirceu foi convocado para uma audiência no Fórum de Santo André, no dia 9 de agosto, na presença de João Francisco.

De acordo com João, algumas pessoas começaram a usar o dinheiro, que devia ser desviado ilegalmente para o PT, para enriquecimento pessoal. Celso Daniel teria descoberto isso e teria preparado um dossiê sobre as irregularidades. Contudo, Celso Daniel foi assassinado e seu suposto dossiê desapareceu.

O preso José Felício, também conhecido como "Geleião", disse em depoimento para polícia que também ouviu falar sobre o dossiê de Celso Daniel e que ouvira o prefeito ser ameaçado de morte.

A polícia inicialmente tinha concluído que o prefeito fôra morto num crime comum. Seis pessoas foram presas. Contudo, o Ministério Público (que fiscaliza a atividade policial entre outras atribuições) não concordou e determinou que continuassem as investigações.

Em 2003, o empresário Sérgio Gomes, conhecido pelo apelido de o "Sombra", foi indiciado pelo Ministério Público, acusado de ser o mandante do assassinato do prefeito. O Ministério Público alega que o Sombra ordenou a morte do prefeito para que o suposto esquema de corrupção na prefeitura de Santo André não fosse descoberto. Sombra está preso e nega envolvimento no crime.

Depois da morte do prefeito Celso Daniel foram assassinadas outras seis pessoas em situações não muito bem explicadas. Entre os mortos estão: o agente funerário que reconheceu o corpo do prefeito jogado na estrada e que chamou a polícia, o garçom que serviu Celso Daniel na noite do crime antes do seqüestro e uma testemunha da morte dele.

Em 6 de dezembro de 2003, o Partido dos Trabalhadores emitiu uma nota que dizia:O Partido dos Trabalhadores lamenta ter perdido um companheiro como Celso Daniel e entende o sentimento da família, mas não concorda com os ataques que estão sendo feitos contra o partido. A nota completa pode ser lida aqui.

Alguns membros da família do prefeito assassinado não se conformam e dizem que desejam ver o caso totalmente e definitivamente solucionado.

Fontes

  • Jornal da Record, Rede Record, 28 de junho de 2005.