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Irã prende milhares em campanha de detenções em massa após reprimir protestos, dizem fontes

De Wikinotícias

29 de janeiro de 2026

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Forças de segurança iranianas disfarçadas detiveram milhares de indivíduos em uma operação de prisões em massa e intimidação para evitar novos protestos, após conter a onda de distúrbios mais violenta desde a Revolução Islâmica de 1979, conforme relataram fontes à Reuters.

Começados no mês passado no Grande Bazar de Teerã, os protestos modestos contra as dificuldades econômicas deram origem a queixas mais amplas que estavam reprimidas há muito tempo. Esses protestos se transformaram rapidamente na maior ameaça existencial à teocracia xiita do Irã em quase cinco décadas, com os manifestantes exigindo a renúncia dos clérigos no poder.

Grupos de direitos humanos afirmam que autoridades reprimiram os distúrbios com força avassaladora, matando milhares de pessoas e cortando o acesso à internet. Teerã atribui a violência a "terroristas armados" associados a Israel e Estados Unidos.

Em poucos dias, as forças de segurança disfarçadas iniciaram uma operação de prisões em massa, acompanhada por um aumento da presença nas ruas, com postos de controle, segundo cinco ativistas que falaram sob condição de anonimato dentro do Irã, e que "ninguém sabe para onde estão sendo levados ou onde estão sendo mantidos. Com essas prisões e ameaças, eles estão tentando instigar o medo na sociedade".

Advogados, médicos, testemunhas e dois funcionários iranianos relataram à Reuters casos semelhantes sob condição de anonimato para evitar represálias dos serviços de segurança.

No Irã, médicos estão sendo detidos por contribuírem para salvar vidas de algumas das dezenas de milhares de pessoas feridas durante a violenta repressão aos protestos contra o governo iraniano. Pelo menos um cirurgião pode ser condenado à pena de morte.

Grupos de direitos humanos afirmam que as prisões e a pena de morte são parte de uma campanha de "vingança", depois que profissionais de saúde e médicos se negaram a ignorar o sofrimento de manifestantes gravemente feridos a tiros ou facadas à queima-roupa e, em alguns casos, estabeleceram centros de tratamento improvisados.

Alireza Golchini, um cirurgião de 52 anos da cidade de Qazvin, no centro do Irã, foi acusado de "moharebeh" (guerra contra Deus), um crime que pode resultar na pena de morte, de acordo com o grupo de direitos humanos Hengaw, com sede na Noruega. O Departamento de Estado dos Estados Unidos solicitou sua liberação ontem.

A Human Rights Activists News Agency, uma agência de notícias baseada nos Estados Unidos conhecida por fornecer dados confiáveis em casos de repressão anteriores, reportou ter verificado mais de 6.000 mortes e registrado mais de 17.000 mortes sob investigação.