Grécia acusa Espanha e Portugal planejar Golpe de Estado; países ibéricos reagem

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1 de março de 2015

O primeiro-ministro da Grécia, Alexis Tsipras, afirmou no sábado (28/2) durante encontro do seu partido, Syriza, também conhecida como Esquerda Radical, que durante as negociações que levaram ao acordo de extensão do empréstimo, referendado na sexta-feira pelos deputados alemães, a pressão de outros países europeus "teve o caráter de uma chantagem" e citou os países envolvidos Portugal e Espanha. Para premiê grego Tsipras, esses países ibéricos formaram um "eixo contra Atenas" para fazer com que as negociações junto ao Eurogrupo fracassassem e que planejam derrubar o governo recém formado. Para o líder grego, o objetivo era provocar um desgaste prematuro do governo.

As forças conservadoras [da Europa] tentam nos prender em uma armadilha, para nos levar à asfixia financeira, mas a Grécia não cederá às dificuldades.

Nós nos deparamos com um eixo de poderes encabeçado por governos da Espanha e de Portugal que [por motivos políticos óbvios] tentam levar [jogar por terra] as negociações [da Grécia] para o abismo [durante todas as negociações] para evitar riscos políticos internos.

Alexis Tsipras

Para premiê grego Alexis Tsipras, Lisboa e Madri queriam que negociações da Grécia junto ao Eurogrupo fracassassem, pois Portugal e Espanha estão planejando golpe de Estado para derrubar o novo governo grego, como forma de desgastar, levar o governo grego a uma rendição incondicional "antes que o trabalho comece a dar frutos" e antes que o exemplo da Grécia afetasse outros países, principalmente antes das eleições na Espanha previstas para o final deste ano. Ao discursar para seu partido, Tsipras disse ainda que "a batalha vai continuar".

Suas declarações foram vistas como una forma de se referir ao auge de partidos contrários à austeridade na Espanha e Portugal, animados pela chegada do Syriza ao poder. Na Espanha, o Podemos, aliado próximo ao Syriza, encabeça as pesquisas para as eleições gerais do final do ano. O governo grego, que se comprometeu a manter orçamentos equilibrados e a aplicar medidas sociais para enfrentar a crise humanitária, procurará cobrar impostos dos que "têm dinheiro e nunca pagaram".

"Quem pensa que vamos desistir vai se decepcionar", afirmou ao comitê central do Syriza, de acordo com a agência de notícias AFP. Esse discurso embusteiro do grego acontece quatro dias depois (24) de encerrada uma semana de negociações que resultaram na extensão do programa de resgate à Grécia por mais quatro meses (Junho de 2015). O atual programa de resgate da Grécia de 240 bilhões de euros ia expirar no sábado (28), mas uma extensão de quatro meses foi aprovada pelos ministros das Finanças da zona do euro na terça-feira, depois que o governo grego apresentou uma lista de seis páginas detalhando seus planos de reformas.

Tsipras enfrenta o desafio de dar alívio aos cidadãos que votaram no seu partido e, ao mesmo tempo, controlar os gastos do governo. O premiê grego qualificou o acordo com o Eurogrupo como uma vitória para a Grécia, apesar dos protestos em Atenas por grupo de vândalos anti-Syriza. Ele citou ainda rumores de dissidência de alguns parlamentares alemães mesmo com o voto esmagador a favor da extensão do programa à Grécia.

Sonegadores de impostos na mira[editar]

No mesmo dia do polémico discurso, em entrevista transmitida neste sábado pela emissora privada de televisão grega Skai, o ministro das Finanças grego, Yanis Varoufakis, dirigiu duras palavras aos sonegadores de impostos que fogem do fisco.

O que nos interessa é quem tem dinheiro, mas nunca pagou [impostos]. Eles são nosso alvo e não teremos piedade alguma.

Yanis Varoufakis

As medidas, de acordo com Varoufakis, podem incluir um imposto único para os ricos. "Temos o compromisso de equilibrar o nosso orçamento. Se eu tiver que cobrar um imposto extraordinário, vou fazê-lo, mas será apenas para aqueles que podem pagar. Nós não vamos tirar dinheiro de pessoas que estão sofrendo", garantiu.

Depois que os deputados alemães levantaram na sexta-feira o último obstáculo às ajudas internacionais que deixarão Atenas respirar, Tsipras, anunciou uma série de medidas sociais e o ministro das Finanças, Yanis Varoufakis, afirmou no sábado que Atenas pode recorrer a um imposto extraordinário para equilibrar seus orçamentos.

Nos comprometemos a ter orçamentos equilibrados. Se tiver que colocar um imposto extraordinário, o farei, mas será para os que podem pagar (...) Não vamos tirar dinheiro das pessoas que estão sofrendo. As pessoas que nos interessam são as que têm dinheiro e nunca pagaram. Esse é nosso objetivo e não vamos ter pena. Queremos encontrar uma solução para que os que têm dinheiro paguem.

Yanis Varoufakis

No entanto, essa medida já foi feita pela França, no governo de François Hollande em 2012, que antes de entrar em vigor, em 2013, todos os milionários que existiam no país, deixaram a Nação para outros países e o governo perdeu fonte de recursos para impostos.

Reacções[editar]

Questionadas sobre a carta que Espanha e Portugal terão enviado a protestar contra as declarações de Alexis Tsipras, fontes da Comissão Europeia afirmaram, no entanto, não terem recebido qualquer carta. Fonte do gabinete de Passos Coelho negou igualmente à Lusa a existência de uma carta e que tenham sido contactadas as presidências da Comissão Europeia e do Conselho Europeu. O gabinete confirma, contudo, a existência de "contactos através de canais diplomáticos" para sublinhar a "perplexidade" do Governo português perante "acusações infundadas" do primeiro-ministro grego através de canais diplomáticos, mas não escreveu qualquer carta de protesto dirigida às presidências da Comissão Europeia e do Conselho Europeu, como foi avançado segundo fontes do governo de Espanha.

O porta-voz do PSD, Marco António Costa, que afirmou à entrada para o encerramento das jornadas do PSD e do CDS sobre investimento, no Porto:

(...) conturbação e dificuldades internas do Syriza não justificam a invenção de histórias nem de desculpas para envolver terceiros. (...) Todos nós percebemos que aquelas palavras [de Alexis Tsipras] foram proferidas na qualidade de presidente do Syriza, todos sabem que tem havido um ambiente muito conturbado dentro do Syriza, em resultado dos compromissos assumidos pelos seus dirigentes enquanto governantes dentro do Eurogrupo. (...) Está na hora de os responsáveis assumirem as suas próprias responsabilidades e não continuarem a sacudir a água do capote e enjeitar as responsabilidades que são próprias das suas decisões.

Marco António Costa

De acordo com a agência de notícias espanhola Efe, fontes do Governo espanhol confirmaram na tarde deste domingo o envio de um protesto conjunto de Espanha e Portugal aos presidentes da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, e do Conselho Europeu, Donald Tusk, depois de Alexis Tsipras ter afirmado perante o comité central do partido Syriza que Portugal e Espanha formaram um “eixo contra Atenas” durante as negociações mantidas com o Eurogrupo para o prolongamento do programa de resgate financeiro.

Em declarações hoje em Sevilha, Rajoy aformou: "Ir à procura de um inimigo externo é um truque que já vimos muitas vezes ao longo da história, mas que não nos resolve os problemas, apenas os agrava. A única forma de resolver os problemas é ser sério, dizer a verdade, não prometer o que não depende de ti e não podes cumprir, e governar".

À Lusa, fonte do Governo espanhol adiantou, por sua vez, que foi enviado um protesto conjunto de Portugal e Espanha e que a iniciativa partiu de Lisboa. "Espanha aderiu à iniciativa portuguesa", disse a mesma fonte de Madrid.

Em entrevista publicada pelo web sítio português Expresso, o primeiro-ministro do país, Pedro Passos Coelho, afirma que Portugal está "alinhado com todos os outros 17 países da zona do euro" e que a ideia de que o país teria sido um dos mais exigentes com Atenas "não é verdadeira".

Ajuda da Alemanha[editar]

Na sexta-feira do dia 27 de fevereiro, o Bundestag (câmara baixa do Parlamento alemão) aprovou na sexta-feira, por ampla maioria, a extensão do programa de ajuda financeira à Grécia. Foram 542 votos a favor e apenas 32 contrários, além de 13 abstenções. A aprovação era esperada, já que a coalizão de governo detém 80% das cadeiras.

Naquela oportunidade, na noite, o primeiro-ministro Alexis Tsipras havia expressado sua satisfação pelo voto do Parlamento alemão, ao mesmo tempo em que anunciava uma série de medidas previstas no programa eleitoral do Syriza.

(...) a Europa reconheceu agora que a Grécia abriu um novo capítulo. Começamos a trabalhar duro para mudar a Grécia dentro de uma Europa que está mudando de rumo. O primeiro projeto de lei que apresentaremos no início da próxima semana, na manhã de segunda-feira, inclui medidas para enfrentar a crise humanitária. Isso, para nós, é a primeira obrigação para uma sociedade que sofre há cinco anos. (...)
[As medidas incluem] o fornecimento gratuito de energia elétrica para 300.000 famílias [assim como um programa de habitação para 30.000 pessoas]. (...)
[Outros textos vão] proteger centenas de milhares de pessoas que correm o risco de ficar sem habitação.

Alexis Tsipras

O chefe de governo também afirmou que o controverso projeto de uma empresa canadense para explorar uma mina de ouro no norte da Grécia não será realizado.

O acordo de extensão do empréstimo aprovado na sexta-feira pelos deputados alemães havia sido alcançado na terça-feira após fortes tensões entre Berlim e Atenas. Atenas precisou entregar, no início da semana, uma lista de reformas, em troca de receber 7,2 bilhões de euros do programa de ajudas que ainda estavam pendentes. A prolongação será por quatro meses, até 30 de junho.

A Grécia precisa deste apoio financeiro para manter sua economia à tona, após anos de crises e medidas de austeridade. Seu PIB voltou a se contrair 0,4% no quarto trimestre de 2014 em relação ao anterior, e não 0,2%, como havia sido estimado em meados de fevereiro, segundo o escritório grego de estatísticas. O documento elaborado por Atenas não contém prazos ou compromissos especificados, mas é um decisão deliberada, explicou Varoufakis, afirmando que se tratava de uma "imprecisão produtiva".

Fontes[editar]

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