Governos do Brasil e Holanda assinam acordos comerciais e dizem que o protecionismo vai agravar a “Crise Financeira Internacional”

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3 de março de 2009

São Paulo, SP, Brasil


No seminário promovido pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo FIESP, que ocorreu ontem na capital paulista, chamado de “Brasil-Países Baixos: Fortalecendo os Laços entres os Dois Países”, o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva e o primeiro-ministro holandês, Jan Peter Balkenende, se encontraram ontem para assinarem acordos comerciais e deram coletiva de imprensa em além do acordo.

Ampliar as negociações comerciais e a troca de conhecimento entre Brasil e Holanda (ou Países Baixos) foi um dos principais motivos para o encontro entre o presidente do brasileiro e o primeiro-ministro holandês, durante o seminário, promovido pelo FIESP, Durante o encontro foi assinado um acordo de cooperação comercial.


A visita de Balkenende é a consolidação das relações entre Brasil e Holanda. Todo mundo sabe da confiança que as empresas holandesas tem tido no Brasil. Não faz muito tempo que eu disse que os empresários brasileiros não deveriam ter medo de investirem lá fora. Na ocasião, fui criticado por alguns jornais, mas na verdade eu queria era estimular os empresários brasileiros a tornar suas empresas multinacionais.
Lula


Lula destacou que quando as conversas com o governo e empresários holandeses começaram no ano passado não se falava ainda sobre a gravidade da crise mundial e nem havia uma dimensão do tamanho delas:


Essa é uma oportunidade para que a gente repense um pouco numa regulação financeira mundial e em um novo papel para o Fundo Monetário Internacional (FMI) e os bancos centrais. Certamente ninguém tem a solução para os problemas do mundo, mas todos os governos estão tomando medidas. Pesa sobre nós uma responsabilidade muito grande. Nós não podemos aceitar que o protecionismo seja usado como ferramenta para enfrentar a crise. Se os Estados Unidos e a Europa se fecharem nós veremos a crise piorar.
Lula


Lula já se referiu em algumas ocasiões anteriores a suas rezas para que Obama tire o mundo da crise, mas pela primeira vez convidou Balkenende em visita oficial no Brasil, a que se uma a suas preces, enquanto voltou a atacar o aumento do protecionismo. Especificou, pedindo que se tome o caminho contrário, da abertura comercial e finalização da rodada de negociações de Doha da Organização Mundial do Comércio (OMC):


Se os americanos, Europa e Brasil se fecharem, a crise ganhará uma dimensão muito maior. Aí, em vez da solução, poderemos ter o caos.
Lula


Quanto à próxima reunião do Grupo dos Vinte (G20) em Londres, em 2 de abril, Lula reiterou que a posição do Brasil será defender uma maior regulamentação do sistema financeiro internacional e por "definir o papel de quem irá controlá-lo".

Lula opinou que esta reunião será "uma oportunidade" para "repensar" a regulação das finanças internacionais e para "pensar um novo papel" para o Fundo Monetário Internacional (FMI) e os bancos centrais.

Balkenende coincidiu com o presidente brasileiro nas críticas às tendências protecionistas. "Brasil e Holanda estão na mesma linha em relação ao encontro do G20. O protecionismo deve ser evitado a todo custo", manifestou.

De acordo com o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, dos US$ 173 bilhões importados pelo Brasil, apenas US$ 1,5 bilhão saíram da Holanda:


Devemos incluí-los neste intercâmbio mundial. Os Países Baixos tem um amplo conhecimento em infraestrutura no qual o Brasil esta atrasados. Por outro lado, temos condições de trocar com eles informações sobre biocombustíveis e tecnologia.
Paulo Skaf


Diante da missão composta por representantes das 12 maiores empresas holandesas e de empresários brasileiros, o primeiro-ministro da Holanda, Jan Peter Balkenende, destacou a importância de se aproveitar o momento de dificuldade da economia mundial para ampliar as fronteiras comerciais:


Apesar dos tempos incertos precisamos inovar sempre. É preciso agarrar as oportunidades que surgem lá fora. Investir nos Países Baixos é uma coisa boa.
Balkenende


Segundo Balkenende, a região pode ser uma porta de entrada da Europa para o Brasil:

Somos um player importante. Nosso Produto Interno Bruto (PIB) é o 10º do mundo. Temos o maior porto da região, que dele saem estradas para ligar a Holanda a vários países.
Balkenende


Balkenende e Lula presidiram ontem um encontro de empresários de ambos os países na sede da Fiesp e depois almoçaram juntos.

Hoje, o premiê holandês visitará a sede da Embraer e se encontrará com o governador de São Paulo, José Serra.

No último dia de sua visita oficial amanhã, o dirigente holandês visitará a sede da Petrobras, e se encontrará com o governador do Rio de janeiro, Sérgio Cabral. EFE

Futebol

Lula deu camisa laranja para Balkenende, que deu camisa amarela para ele, respectivamente camisas de seleções nacionais de futebol com sobrenomes dos atuais governantes.

Rezar ao Obama

Lula convidou Balkenende para rezar com ele para que o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, tome "decisões sábias" para sair da crise:


Se ele rezar lá, na outra parte do mundo, e eu rezar aqui, podemos ajudar o Obama a tomar as decisões sábias que o mundo precisa que ele tome, a que o Congresso americano compreenda a gravidade da crise e a que o povo compreenda que não é momento de fazer política.
Lula


Outros Assuntos

Lula condenou os dois ataques que mataram o militar e o presidente da Guiné-Bissau, ocorridos anteontem e ontem, respectivamente. O presidente criticou duramente ao ataque do MST que resultaram a morte de quatro seguranças no interior do Pernambuco.

Histórico

Em abril do ano passado, Lula visitou Holanda para fechar acordos de cooperação em setores estratégicos. Durante a visita, foram assinados cinco Memorandos de Entendimento: Responsabilidade no Desenvolvimento Portuário, Biocombustíveis, Parcerias em Águas, Herança Cultural e Educação Superior.

A Holanda é um país de monarquia constitucional, com chefe de estado que reina e o chefe de governo que de fato governa o país.

Fontes