Governo colombiano aceita proposta de desmilitarização a fim de iniciar diálogos com as FARC

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O departamento do Valle del Cauca.

14 de dezembro de 2005

Bogotá, Colômbia

O Governo do Presidente Álvaro Uribe Vélez aceitou nesta terça-feira (13) a proposta sugerida pela França, Suíça e Espanha de desmilitarizar o casario El Retiro, pertencente ao município de Pradaria, em Valle del Cauca, como parte de uma negociação de intercâmbio humanitário com as Forças Armadas Revolucionárias de Colômbia (FARC-EP).

As FARC mantêm cativas autoridades policiais, estrangeiros e políticos (entre eles a ex-candidata Ingrid Betancourt, seqüestrada em fevereiro de 2002).

A zona a ser desmilitarizada tem cerca de 180 quilômetros quadrados de extensão, com um cordão de segurança de 2 km ao redor. O lugar foi visitado por membros de uma missão dos três países mencionados entre 28 de novembro e 2 de dezembro.

A França, Suíça e a Espanha afirmaram que garantirão a segurança dos negociadores dos dois lados e que os deslocamentos se realizarão por intermédio do Comitê Internacional da Cruz Vermelha. A proposta assinala que "os três países não devem decidir em nenhum caso a duração, a forma ou o conteúdo das negociações". Eles asseguraram que desejam simplesmente dar confiança aos negociadores e aos diversos sectores da população colombiana.

O Presidente Álvaro Uribe disse que aceita mudar suas posições contrárias à desmilitarização, assumidas nas primeiras semanas de seu mandato, porque a comunidade internacional garantiu que mesmo na ausência do Exército não haverá a presença da guerrilha. "Aceitamos esta proposta porque em lugar de contar com a presença do Exército durante esses dias, nesses 180 quilômetros [quadrados], haverá 40 observadores internacionais. E confiamos na comunidade internacional", declarou Uribe.

Por sua vez, o porta-voz do Ministério francês das Relações Exteriores Jean-Baptiste Mattéi afirmou: "Tomamos nota com interesse da resposta positiva do Governo colombiano e esperamos agora a resposta das FARC, que esperamos ser positiva. Nosso objectivo é um acordo humanitário que permita a libertação de todos os seqüestrados, entre eles nossa compatriota Íngrid Betancourt".

Já o representante Gustavo Petro, do Pólo Democrático Independente, disse que "é uma lástima que isto não tenha ocorrido há três anos. As famílias teriam sido poupadas de muita dor". Para Petro, a aceitação da proposta por parte de Uribe tem propósitos eleitorais.

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