Geólogos confirmam que o Estreito de Gibraltar vai desaparecer em breve: “A Europa e a África vão unir-se”
6 de dezembro de 2025

Um estudo recente, publicado na revista Geology, causou uma grande agitação entre geólogos e investigadores: segundo os seus modelos, a zona de subducção sob o estreito de Gibraltar não está “morta”, como muitos pensavam, mas vai estender-se em direção ao Atlântico, o que poderá fazer desaparecer a passagem entre a Europa e a África.
Para muitos especialistas, a zona de Gibraltar era considerada dormente ou praticamente inativa, porque o seu avanço tectónico tinha abrandado significativamente nos últimos milhões de anos.
Mas o novo modelo 3D criado para este estudo, apoiado por um poder computacional moderno e por dados geodinâmicos recentes, sugere que este abrandamento é apenas uma fase de “dormência” antes do seu recomeço.
Um oceano que não durará para sempre tal como o conhecemos
Embora os oceanos pareçam ser permanentes, a tectónica de placas continua o seu curso. Assim, estas grandes massas de água nascem, expandem-se e acabam por se fechar - como aconteceu no passado com o Tétis - através do chamado ciclo de Wilson, que acabará por afetar também o Atlântico.
Este novo estudo, liderado por geólogos das Universidades de Lisboa (Portugal) e Johannes Gutenberg em Mainz (Alemanha), sugere que a subducção - o afundamento de uma placa tectónica sob outra - que ocorre atualmente no Mediterrâneo ocidental, sob o Estreito de Gibraltar, irá migrar para o Atlântico.
Consequentemente, esta “invasão de subducção” daria lugar a um sistema de subducção atlântico, semelhante à zona de subducção mais ativa do Pacífico, conhecida como “anel de fogo”.
O que é que significa o “desaparecimento” de Gibraltar?
Como é que isso aconteceria? As placas tectónicas - a placa africana e a placa euro-asiática - continuariam a convergir até que a litosfera oceânica atlântica submergisse sob a placa adjacente, provocando a elevação da terra e o encerramento efetivo da passagem marítima.
E isso significará que a Europa e a África voltarão a estar ligadas por terra, algo que já aconteceu com a crise messiniana, há cerca de 5,9 milhões de anos.
Nessa altura, o Mediterrâneo secou completamente devido ao encerramento do Estreito de Gibraltar, criando uma ponte terrestre entre a África e a Europa que durou cerca de 600 000 anos e permitiu que a fauna africana se deslocasse para a Europa.
Mas, segundo os investigadores, esta mudança não será imediata: estimam que a fase inicial da migração terá início dentro de cerca de 20 milhões de anos, o que em termos geológicos é considerado “precoce”. Após este período relativamente lento, o avanço da subducção no Atlântico poderá acelerar.
Fontes
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