G20 ignora boicote dos Estados Unidos e aprova declaração final contra a vontade de Trump
23 de novembro de 2025
Nesse sábado (22), desafiando a vontade de Donald Trump, os líderes do G20 reunidos em Joanesburgo aprovaram uma declaração final que abordava assuntos que o presidente americano havia rejeitado e boicotado. O texto defende o multilateralismo e se opõe às mudanças climáticas.
Na sessão inaugural do encontro, foi aprovada por aclamação uma declaração extensa, com 30 páginas e 122 itens. Os Estados Unidos não enviaram uma delegação devido à crise diplomática com a África do Sul, que Trump chamou de "genocídio branco".
Apesar de não afirmar diretamente que o aquecimento global é resultado das ações humanas, o texto reforça o compromisso em combater as emissões que contribuem para o aumento da temperatura global, conforme estabelecido no Acordo de Paris, assinado em 2015. Trump, pouco após ser empossado no início deste ano, decidiu retirar os Estados Unidos do acordo.
O documento final menciona o TFFF, um fundo para a preservação das florestas tropicais que foi proposto pelo Brasil durante a COP30 em Belém, como um "instrumento inovador". Outro ponto elogia "o desfecho bem-sucedido" do evento, apesar de a cúpula de mudanças climáticas ainda estar em curso.
Como as decisões do G20 não obrigam os países do grupo a cumpri-las, a declaração tem apenas valor simbólico. No entanto, a aprovação representou uma conquista diplomática para o anfitrião do evento, presidente sul-africano Cyril Ramaphosa.
A decisão quebrou o protocolo, uma vez que declarações desse tipo geralmente são aprovadas e divulgadas somente ao término das cúpulas do G20. O encontro atual deve terminar somente no domingo.
Aprovada no dia em que as negociações da COP30 no Brasil foram concluídas, os líderes admitiram que os investimentos e o financiamento climático precisam ser expandidos "de bilhões para trilhões globalmente, a partir de todas as fontes".
Além disso, o texto destacou a importância de reformar os sistemas financeiros globais para auxiliar os países de baixa renda a gerenciar suas dívidas.
A linguagem referente à taxação dos superricos foi menos rigorosa do que na declaração anterior do G20, realizada no Rio de Janeiro, ocasião em que os líderes concordaram pela primeira vez em "garantir que indivíduos de altíssimo patrimônio líquido sejam efetivamente tributados".
Com base na Carta da ONU, os representantes solicitaram ainda uma "paz justa, abrangente e duradoura" em países como Ucrânia, Sudão, República Democrática do Congo e no "Território Ocupado da Palestina".
Fontes
[editar | editar código]- ((pt)) G20 ignora boicote dos EUA e aprova declaração final contra a vontade de Trump — Folha de São Paulo, 22 de novembro de 2025
- ((pt)) G20 desafia boicote dos EUA e adota declaração conjunta — Universo Online, 22 de novembro de 2025

