França e Itália tentam negociar com Irã passagem segura pelo Estreito de Ormuz, e Estados Unidos preparam escolta a petroleiros, diz jornal
14 de março de 2026
Nessa sexta (13), na tentativa de obter garantias de passagem segura para navios pelo Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais importantes do mundo para o comércio de energia, países europeus, como França e Itália, teriam começado negociações com o Irã, informou o Financial Times. As negociações teriam como objetivo viabilizar o restabelecimento dos envios de petróleo e gás do Golfo, em meio ao agravamento do conflito na região e ao fechamento do estreito anunciado pelo novo líder supremo do Irã.
De acordo com autoridades a par das negociações consultadas pelo Financial Times, capitais europeias iniciaram conversas iniciais com Teerã com o objetivo de retomar as exportações sem agravar o conflito. Por outro lado, companhias de navegação buscam marinhas ocidentais em busca de possíveis escoltas para seus petroleiros. Mesmo assim, não há garantia de progresso nas negociações nem sinal claro de que o Irã esteja aberto a conversar sobre a reabertura da rota.
Mais tarde nesta sexta-feira, o Ministério das Relações Exteriores da Itália desmentiu que o país esteja em negociações com Teerã. Fontes próximas ao gabinete da primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, declararam que não houve "negociações bilaterais nem conversas diretas com o Irã para garantir a passagem de navios italianos pelo Estreito", ressaltando que não há nenhum acordo negociado nos bastidores.
"Em seus contatos diplomáticos, líderes italianos buscam promover as condições para uma desescalada militar geral", afirmaram, e que "no entanto, não há negociações de bastidores destinadas apenas a proteger determinados navios mercantes em detrimento de outros".
Aproximadamente um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito consumidos globalmente costuma transitar pelo estreito situado na entrada do Golfo. Entretanto, os embarques praticamente cessaram após os ataques iranianos a petroleiros e a promessa do novo líder supremo, Mojtaba Khamenei, de manter a passagem fechada. A República Islâmica é fortemente suspeita de tentar aumentar os preços do petróleo e do gás natural para pressionar o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a pôr fim ao conflito.
O estreito é um ponto estratégico do comércio mundial, pois concentra aproximadamente 25% do petróleo transportado por mar, além de grandes quantidades de gás natural liquefeito e fertilizantes. Após ameaças e ataques iranianos a navios petroleiros, bem como a decisão do novo líder supremo iraniano, Mojtaba Khamenei, de manter o bloqueio em resposta às ações hostis dos Estados Unidos e de Israel, o tráfego pelo estreito foi quase totalmente interrompido.
Os efeitos já são visíveis nos preços. Em poucos dias, o gás natural teve um aumento de 74%, enquanto o combustível utilizado por navios subiu quase 100%, elevando os custos de transporte.
Embora três representantes do governo tenham alertado à reportagem que não há garantia de progresso nas negociações nem real interesse do Irã em negociar, os países europeus estão tentando restabelecer o fluxo de energia do Golfo Pérsico.
Fontes
[editar | editar código]- ((pt)) França e Itália tentam negociar com Irã passagem segura pelo Estreito de Ormuz, e EUA preparam escolta a petroleiros, diz jornal — O Globo, 13 de março de 2026
- ((pt)) França e Itália negociam com Irã por passagem segura pelo Estreito de Ormuz — FT — RT Brasil, 13 de março de 2026


