Fortalecimento do G20 como instância decisória é única proposta concreta que sai de reunião

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O secretário de Finanças do Tesouro do Reino Unido, Stephen Timms, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, e o ministro das Finanças da África do Sul, Trevor Manuel, durante entrevista coletiva sobre a reunião do G20, que engloba as maiores economias do mundo. Foto: Valter Campanato/ABr

Agência Brasil

10 de novembro de 2008

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Terminou sem propostas concretas a reunião de ministros da área econômica e presidentes de bancos centrais das grandes economias desenvolvidas e emergentes, que formam o G20.

Em entrevista coletiva ao final do encontro, que se realizou neste fim de semana em São Paulo, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse ontem (9) que a proposta que será levada aos chefes de Estado do G20, no próximo dia 15, em Washington D.C., é a necessidade de fortalecimento do grupo, criado há 10 anos apenas como instância de diálogo.

Antes da reunião, havia consenso quanto ao fato de que a falta de regulação dos mercados financeiros teria sido uma das principais causas da atual crise financeira global.

A expectativa era de que, na reunião, se estabelecesse mecanismos de regulação e controle de mercados, inclusive com a indicação do organismo que ficaria responsável por tal monitoramento. Mas isso não ocorreu.

“Não chegamos a definir com detalhes as medidas a serem tomadas no âmbito da regulamentação e da fiscalização, embora isso tenha sido salientado por todos os países. Tal acompanhamento seria a partir de regras contábeis universais”, disse Mantega, ao lado do ministro das Finanças da África do Sul, Trevor Manuel e do secretário de Finanças do Tesouro do Reino Unido, Stephen Timms.

“Vimos cada vez mais a integração de mercados financeiros globais, uma grande quantidade de capitais fluindo através de fronteiras e os investidores buscam o retorno rápido sem prestar atenção aos riscos. É uma crise global e requer uma resposta global. A primeira providência deve ser regular o mercado financeiro”, reiterou o secretário do Tesouro britânico. Hoje, o Brasil preside o G20 financeiro e o Reino Unido é o próximo país a ocupar a presidência do grupo.

Entre os consensos, está a necessidade de adoção de políticas fiscais e monetárias anti-cíclicas, adequadas às condições de cada país. “Os países com situação mais sólida poderão fazer mais ações fiscais, mais gastos”, ponderou Mantega.

Sábado (8), o presidente do Banco Mundial, Robert Zoellick, já havia antecipado que diversos países defendiam a expansão fiscal como antídoto para os efeitos de médio e longo prazos da atual crise financeira. A proposta foi encampada pelos emergentes, com ressalvas dos presidentes dos bancos centrais, preocupados com a aceleração da inflação a partir do aumento dos gastos públicos.

“Os países que estão sofrendo evasão de recursos poderão sofrer uma inflação momentânea”, disse Mantega. Para 2009, a tendência, na sua avaliação, é de deflação, acompanhando a retração da atividade econômica.

Outro consenso da reunião do G20 diz respeito justamente à evasão de recursos que vem ocorrendo ns economias emergentes. Segundo Mantega, todos concordaram com a necessidade dos países avançados ajudaram os emergentes na saída de fluxos comerciais.

Quanto ao fortalecimento do G20, há consenso de que trata-se de uma esfera mais representativa das forças econômicas mundiais. “Ele deve ser transformado numa instituição mais atuante porque é mais representativo”, disse o ministro brasileiro. O diagnótico foi reiterado por Stephen Timms.

Mantega lembrou que G20 foi criado no final dos anos 90 para enfrentar os efeitos da crise asiática. Hoje, o cenário é muito mais grave. “Não há nenhuma comparação com a crise asiática e a crise financeira que estamos vivendo hoje. Dez anos depois, o G20 passa a ter funções mais importantes”, enfatizou o ministro.

Segundo Mantega, nos anos 90, a preocupação era com os desequilíbrios que ocorriam nas economias emergentes. Hoje, o G20 tem a tarefa e procurar encaminhar soluções e monitorar a crise que se dá nos países avançados. “Só isso já exige uma mudança de instrumentos e de funções do G20”, reiterou.

Para ele, o G20 é um forte candidato a ser um órgão coordenador de ações contra a crise. Mantega defendeu que instituições como FMI, o Banco Mundial e o Fundo de Estabilidade Financeira (FSF) poderão servir para ajudar no enfrentamento da crise desde que fortalecidos e com maior representação dos emergentes.

“Os emergentes exigem uma participaçao maior nas decisões que são tomadas, não podem estar numa condição de inferioridade nas decisões do FMI,do Banco Mundial e do FSF”, disse.

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