FMI se oferece como coordenador de políticas fiscais de caráter internacional

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Agência Brasil

10 de novembro de 2008

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A adoção de políticas fiscais e monetárias foi a proposta apresentada ontem (9), na reunião do G20 em São Paulo, pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) para o enfrentamento da crise financeira internacional.

O diretor-gerente da instituição, Dominique Strauss-Kahn, afirmou que o FMI poderia monitorar a formulação e adoção de tais políticas, além de oferecer apoio fiscal, quando necessário. “A ação coordenada em políticas fiscais certamente é muito mais eficiente do que ações adotadas por diferentes países individualmente”, justificou.

A proposta foi apresentada aos ministros da área econômica e aos presidentes de bancos centrais das 20 maiores economias desenvolvidas e emergentes reunidas neste final de semana.

“Muitos questionaram se os grupos existentes, os vários Gs, são suficientemente representativos ou têm a infra-estrutura necessária para acompanhamento e implementação. É necessário um grupo representativo de formuladores de políticas”, registrou o FMI em documento apresentado ao G20. “O FMI está preparado para assumir este papel, apoiando qualquer iniciativa para coordenar e monitorar políticas.”

Desde a véspera da reunião, na sexta-feira (7), diversos países, incluindo o Brasil, vinham apontado a necessidade de um órgão supra-nacional para regular e supervisionar os mercados. Entre os emergentes, porém, há consenso de que o FMI só teria representatividade para tal função caso os países em desenvolvimento tivessem maior poder nas decisões do órgão.

Questionado se o G20 não seria mais representativo do que o FMI – já que o fortalecimento do grupo é uma das propostas da reunião anual - Strauss Kahn justificou que o FMI inclui muito mais países, inclusive os mais pobres, que não fazem parte do G20.

"A diferença está no caráter universal do FMI. O G20 é muito importante, é uma parte muito grande do Produto Interno Bruto Mundial, mas são apenas 20 países. O FMI representa 185 países”, argumentou. O comitê do FMI, no entanto, órgão que estabelece as estratégias do Fundo, conta com 24 países.

O diretor-gerente do Fundo foi evasivo quanto a dar mais espaço aos países emergentes. Ele lembrou que o Fundo passou por uma reforma há seis meses, assegurou que os emergentes terão cada vez mais espaço e desviou o tema para outra necessidade da instituição: a ampliação de recursos para dar conta das futuras necessidades dos países-membros.

"Essa é, provavelmente, a primeira grande crise global. Os recursos do FMI hoje são suficientes. Amanhã, não sabemos”, afirmou Strauss-Kahn. Segundo ele, muitos países emergentes ainda podem ter problemas em suas balanças de pagamento. “Muitos deles têm muitas reservas, mas estão sob pressão”, disse Straus-Kahn. “O cenário é um tanto quanto cinza.”

No documento apresentado ao G20, o FMI é ainda mais enfático. “Os recursos oficiais necessários para estabilizar a situação são inadequados.” O Fundo sugere que a comunidade internacional co-financie os programas da instituição ou reforcem a sua capacidade de financiamento.

Fontes