Estados Unidos terão uma mulher como primeira chefe de gabinete de origem indígena

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16 de março de 2021

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Deb Haaland

O Senado dos Estados Unidos confirmou ontem o nome de Deb Haaland, congressista do Novo México, como secretária do Interior. Ela se torna, assim, a primeira nativa americana a liderar um departamento de gabinete e a primeira a liderar a agência federal que trabalhou com as tribos do país por quase dois séculos.

Haaland foi aprovada por 51 votos a 40.

Democratas e grupos tribais elogiaram a confirmação de Haaland dizendo que ela era histórica e que os indígenas - que viviam na América do Norte antes da criação dos Estados Unidos - verão pela primeira vez um nativo americano liderar o poderoso departamento onde as decisões sobre as relações com as quase 600 tribos reconhecidas federalmente são feitas. A pasta também supervisiona uma série de outras questões, incluindo a geração de energia em terras e águas públicas, e a supervisão de parques nacionais e das espécies ameaçadas de extinção.

"A confirmação do deputado Haaland representa um passo gigantesco na criação de um governo que represente toda a riqueza e diversidade deste país", disse o líder da maioria no Senado, Chuck Schumer. "Os nativos americanos por muito tempo foram negligenciados em nível de gabinete e assim muitos outros lugares".

A escolha de Haaland foi acompanhada de perto por comunidades tribais em todo o país, com centenas de pessoas assistindo a sua audiência de nomeação.

Apoiadores projetaram uma foto de Haaland, que representa a grande Albuquerque no Congresso há dois mandatos, na lateral do prédio do Interior, no centro de Washington, com o texto "os sonhos de nossos ancestrais se tornam realidade".

Muitos nativos americanos veem Haaland, 60, como alguém que elevará sua voz e protegerá o meio ambiente e os direitos das tribos. Sua escolha quebra um padrão de dois séculos de funcionários não-nativos, principalmente do sexo masculino, servindo como o principal funcionário federal em assuntos sobre indígenas americanos. O governo federal muitas vezes trabalhou para desapropriar as terras indígenas e, até recentemente, para fazer as tribos assimilar a cultura dos brancos.

"Já passou da hora de um índio americano servir como secretário do Interior", disse Fawn Sharp, presidente do Congresso Nacional dos Índios Americanos, a maior e mais antiga organização tribal do país. "A nação precisa de sua liderança e visão para ajudar a liderar nossa resposta à mudança climática, administrar nossas terras e recursos culturais e garantir que, em todo o governo federal, os Estados Unidos cumpram suas obrigações com as nações indígneas e nossos cidadãos", Disse Sharp.

Jonathan Nez, presidente da Nação Navajo no Arizona, Novo México e Utah, classificou a nomeação de Haaland de "um dia monumental e sem precedentes para todos os primeiros habitantes deste país. Palavras não podem expressar o quanto estamos felizes e orgulhosos de ver um dos nossos ser confirmado para servir nesta posição de alto nível".

A confirmação de Haaland "nos coloca em um caminho melhor para corrigir os erros passados do governo federal e inspira esperança em nosso povo, especialmente em nossos jovens", acrescentou Nez.

Porém, nem todo mundo comemorou. Alguns senadores republicanos classificaram as opiniões de Haaland sobre a perfuração de poços petróleo e outras atividades de desenvolvimento de energia como radicais e extremas, citando sua oposição ao oleoduto Keystone XL e seu apoio ao Green New Deal, iniciativa que visa lidar com a mudança climática e a desigualdade social.

O senador do Wyoming John Barrasso, o principal republicano no Comitê de Energia e Recursos Naturais do Senado, disse que as "visões extremas" de Haaland e o apoio a uma "legislação catastrófica" como o Green New Deal tornariam sua confirmação como secretária do interior desastrosa, prejudicando o fornecimento de energia e a economia do país. "Empregos americanos estão sendo sacrificados em nome da agenda de Biden" disse Barrasso, referindo-se às decisões do presidente Joe Biden de rejeitar o oleoduto Keystone XL e impor uma moratória sobre novos arrendamentos para exploração de petróleo e gás.

Barrasso também criticou o apoio de Haaland à proteção contínua de ursos pardos na região de Yellowstone nas Montanhas Rochosas, apesar da recomendação do Fish and Wildlife Service de que cerca de 700 ursos em partes de Montana, Wyoming e Idaho não precisam mais de proteção. “A deputada Haaland optou por ignorar a ciência e os cientistas do próprio departamento para o qual ela foi agora indicada", disse Barrasso, pedindo ao Interior que retire os ursos da lista das espécies ameaçadas.

A senadora democrata Maria Cantwell disse que aprecia a liderança de Haaland na Câmara em uma série de questões, acrescentando que o status de Haaland como um nativo americano "nos dará uma vantagem extra em questões (tribais) que são tão importantes para o país indígena em geral".

A senadora republicana Lisa Murkowski, do Alasca, disse que tinha "algumas dúvidas reais" sobre Haaland por causa de suas opiniões sobre a exploração de petróleo e outras questões energéticas, mas disse que os nativos do Alasca a instaram a apoiar a escolha. "Honestamente, precisamos (Haaland) para ser um sucesso", disse Murkowski.

O senador Martin Heinrich, um democrata do Novo México, disse estar desapontado com a retórica usada por Barrasso e outros republicanos. Heinrich, que mora no distrito de Haaland, disse que ela "tem uma porta e uma mente aberta" para discutir diferentes pontos de vista.

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