Empresas dos Estados Unidos mantém negociações climáticas na COP30 apesar de Trump
24 de novembro de 2025
Embora o governo dos Estados Unidos estivesse insatisfeito com a agenda climática global antes da cúpula COP30, as empresas dos Estados Unidos não se deixaram intimidar.
Uma análise da Reuters das listas de participantes revela que o evento no Brasil contou com 60 representantes de empresas da Fortune 100, em contraste com 50 no evento anterior realizado em Baku, Azerbaijão. Além disso, alguns participaram de eventos que antecederam a conferência em São Paulo e no Rio de Janeiro.
A Microsoft, Google, Occidental Petroleum, General Motors e Citigroup foram algumas das empresas de tecnologia e energia mencionadas em uma lista provisória da ONU de participantes da cúpula oficial.
"Não observamos nenhuma mudança perceptível no engajamento das empresas americanas com as políticas climáticas ao longo deste ano. E isso certamente se refletiu nos níveis de participação", afirmou Andrew Wilson, secretário-geral adjunto de políticas da Câmara de Comércio Internacional, e que "também estamos observando uma crescente preocupação em toda a indústria com relação aos custos cada vez maiores de eventos climáticos extremos — o que reforça a necessidade de respostas políticas eficazes".
A cúpula no Brasil foi vista como fundamental para mostrar que 194 países poderiam manter a colaboração para diminuir as emissões de gases de efeito estufa, apesar da saída dos Estados Unidos do Acordo de Paris e da declaração do presidente Donald Trump de que o aquecimento global era uma "farsa".
Após o fracasso do tratado da ONU sobre plásticos e de um imposto global sobre emissões do transporte marítimo, os anfitriões brasileiros enfrentaram grande pressão para alcançar um acordo conhecido como Mutirão Global, que se refere a uma ação coletiva.
Wopke Hoekstra, comissário europeu para o clima, declarou que havia um valor "intrínseco" em firmar um acordo como demonstração de multilateralismo, após duas semanas de negociações que quase colapsaram na noite anterior.
Os pontos de desacordo incluíam financiamento, adaptação, comércio e linguagem de gênero. O acordo final concordou em aumentar em três vezes o financiamento para que os países se adaptem às mudanças climáticas, um objetivo ao qual as nações ricas se opuseram inicialmente. "Não estou dizendo que estamos vencendo a luta climática. Mas inegavelmente ainda estamos nela e estamos lutando", afirmou Simon Stiell, chefe do clima da ONU.
Fontes
[editar | editar código]- ((pt)) Empresas dos EUA mantêm posição nas negociações climáticas apesar de Trump — InfoMoney, 24 de novembro de 2025
- ((en)) Global climate agreement sealed at COP30 despite deep divisions — Finantial Times, 22 de novembro de 2025

