Emirados Árabes Unidos avaliam congelar bilhões em ativos do Irã após ataques com drones e mísseis
8 de março de 2026
Os Emirados Árabes Unidos estão considerando congelar bilhões de dólares em ativos relacionados ao Irã mantidos em seu território, como uma possível reação aos recentes ataques de Teerã com drones e mísseis direcionados a alvos emiradenses, de acordo com o Wall Street Journal. A medida, que ainda está sendo debatida entre as autoridades do país do Golfo, poderia bloquear uma das principais rotas do Irã para o sistema financeiro internacional.
Segundo fontes a par das negociações, autoridades dos Emirados Árabes Unidos já informaram, de forma confidencial, o governo iraniano sobre a possibilidade de implementar tal medida. Desde o começo da escalada, o Irã disparou mais de mil drones e mísseis contra os Emirados Árabes Unidos. Ainda não foi tomada uma decisão sobre quando — ou até mesmo se — o congelamento de ativos será posto em prática.
Se progredir, a medida provavelmente diminuirá consideravelmente o acesso do Irã a moeda estrangeira e às redes internacionais de comércio. Além de uma alta inflação, o país também lida com os efeitos de um conflito militar em curso.
Nos últimos anos, os Emirados Árabes Unidos se estabeleceram como um relevante centro financeiro para empresários e cidadãos iranianos que desejam evitar as sanções ocidentais. De acordo com analistas e autoridades dos Estados Unidos, essa estrutura possibilitou que Teerã mantivesse a venda de petróleo no exterior e usasse os recursos para financiar programas de armamentos e aliados na região.
No entanto, autoridades do país garantem que os Emirados cumprem as sanções internacionais e preservam a integridade do sistema financeiro global.
Há anos, analistas e autoridades dos Estados Unidos afirmam que os Emirados Árabes Unidos servem como um relevante centro financeiro para empresas e pessoas iranianas que tentam contornar as sanções ocidentais. De acordo com essas avaliações, a infraestrutura financeira estabelecida por Teerã no país possibilita a continuidade das exportações de petróleo e a utilização dos recursos adquiridos para financiar programas militares e aliados na região.
Uma possível ação financeira poderia envolver o congelamento de contas associadas a empresas de fachada localizadas nos Emirados, usadas para esconder transações comerciais. Também estão sendo debatidas ações mais abrangentes contra casas de câmbio que operam fora do sistema bancário oficial.
Segundo fontes consultadas pelo Wall Street Journal, um dos principais focos dessas medidas seriam contas ligadas à Guarda Revolucionária do Irã, entidade encarregada de proteger e apoiar o regime iraniano.
Além das medidas financeiras, as autoridades dos Emirados estão considerando ações marítimas diretas, como a apreensão de navios iranianos, para enfraquecer a chamada "frota sombra", que é utilizada para transportar petróleo e operar a partir de portos e rotas de navegação nos Emirados.
Fontes
- ((pt)) Emirados Árabes Unidos avaliam congelar bilhões em ativos do Irã após ataques com drones e mísseis — O Globo, 8 de março de 2026
- ((pt)) Emirados Árabes avaliam congelar bilhões de dólares do Irã, diz WSJ — InfoMoney, 6 de março de 2026


