Em manobra, Trump diz ao Congresso dos Estados Unidos que guerra com Irã está 'encerrada'
1 de maio de 2026
Nessa sexta (1), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, comunicou ao Congresso que as hostilidades com o Irã "foram encerradas", mesmo com a presença contínua de tropas americanas na região. De acordo com a Associated Press, o documento foi encaminhado aos parlamentares na sexta-feira (1).
Na prática, a medida busca contornar o prazo legal que expirou na quinta-feira (30), quando o Congresso deveria ter autorizado a extensão da guerra. Nos Estados Unidos, o presidente pode iniciar ações militares de forma independente, porém precisa da aprovação do Congresso para prolongar o conflito por mais de 60 dias.
Como o Congresso não deliberou sobre o assunto, o governo começou a declarar que a norma não se aplica, pois o conflito teria chegado ao fim com um cessar-fogo iniciado no início de abril. "As hostilidades que começaram em 28 de fevereiro de 2026 foram encerradas", afirmou Trump ao presidente da Câmara, Mike Johnson, e ao presidente pro tempore do Senado, Chuck Grassley.
No entanto, o próprio presidente sugeriu que a crise ainda está longe de acabar. De acordo com Trump, o Irã continua sendo uma "ameaça significativa" para os Estados Unidos e para as Forças Armadas americanas.
O Congresso entrou em recesso por uma semana sem fazer nenhuma deliberação sobre o conflito. Os parlamentares republicanos, que têm a maioria nas duas Casas, optaram por não colocar o assunto em votação, uma ação interpretada como uma forma de evitar um confronto com o presidente.
As pesquisas realizadas por Tony Fabrizio, assessor de longa data de Trump, indicavam que a guerra iniciada por Trump estava se tornando cada vez mais impopular. Os preços da gasolina já haviam excedido os US$ 4 por galão, as bolsas de valores haviam caído para mínimas históricas e milhões de americanos se preparavam para protestar nas ruas. A morte de treze militares americanos foi confirmada.
Alguns dos principais apoiadores públicos de Trump criticavam um conflito sem uma resolução evidente. Foi responsabilidade de Susie Wiles, chefe de gabinete da Casa Branca, e de um pequeno grupo de assessores informar ao presidente que, quanto mais durasse a guerra, maior seria a ameaça ao seu apoio popular e às chances dos republicanos nas eleições de meio de mandato de novembro.
Trump achou o alerta contundente perturbador. De acordo com um alto funcionário do governo, o presidente tem iniciado várias manhãs recentemente assistindo a vídeos produzidos por oficiais militares que destacam vitórias no campo de batalha. Ele afirmou a seus assessores que atuar como comandante-em-chefe para erradicar a ameaça nuclear que o Irã representa poderia se tornar uma de suas maiores realizações.
No entanto, de acordo com duas fontes da Casa Branca, Wiles estava inquieta com o fato de seus assessores estarem transmitindo ao presidente uma perspectiva excessivamente otimista sobre como a guerra estava sendo vista internamente, dizendo a Trump o que ele desejava ouvir em vez do que ele precisava ouvir. Ela havia incentivado seus colegas a serem "mais francos com o chefe" em relação aos riscos políticos e econômicos, segundo as fontes.
Fontes
- ((pt)) Trump diz ao Congresso dos EUA que ataques ao Irã estão 'encerrados' — G1, 1 de maio de 2026
- ((en)) Inside Trump's Search for a Way Out of the Iran War — Time, 1 de maio de 2026


