Eleições na Alemanha: Angela Merkel e Martin Schulz na disputa em meio ao avanço do nacionalismo alemão

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Agência Brasil

24 de setembro de 2017

Os colégios eleitorais na Alemanha abriram neste domingo às 7 horas (3 horas no horário de Brasília e 8 horas de Lisboa) para as eleições gerais nas quais 61,5 milhões eleitores foram convocados às urnas para escolher seus representantes no parlamento e seu futuro governo. Algumas iniciativas também serão votadas em forma de referendo em certas regiões e cidades.

Segundo a Agência EFE, as últimas pesquisas dão clara vantagem à União Democrata-Cristã (CDU) da chanceler Angela Merkel, com quase 14 pontos acima do Partido Social Democrata (SPD), liderado pelo ex-presidente do Parlamento Europeu, Martin Schulz.

Além disso, as sondagens preveem que o partido ultradireitista Alternativa para a Alemanha (AfD) entrará para o Bundestag como terceira força parlamentar, com cerca de 11% dos votos.

Em Berlim os eleitores são convidados, por uma iniciativa popular que recolheu assinaturas suficientes para forçar a convocação da consulta, a pedir ao governo da cidade-estado para abandonar os planos de fechamento do Aeroporto de Tegel.

Em Bremen os cidadãos terão que decidir sobre uma ampliação da legislatura do parlamento regional de quatro para cinco anos.

Pesquisas

As últimas pesquisas indicam uma vitória tranquila de Merkel, com uma vantagem de 14 pontos percentuais sobre Schulz. O terceiro lugar do pleito deve ficar com a ultradireitista Alternativa para a Alemanha (AfD), que chegará pela primeira vez ao parlamento do país. Se as pesquisas se confirmarem, a terceira força do Bundestag estará com 13% dos votos.

As primeiras pesquisas de boca de urna serão divulgadas às 18 h locais (13 h em Brasília), quando serão fechadas as 73,5 mil seções eleitorais e quando também terá início a apuração dos votos.

À espera da divulgação dos primeiros dados oficiais sobre a participação nas eleições, os números provisórios antecipados por autoridades municipais e regionais indicam aumento do número de eleitores em relação ao pleito realizado em 2013.

Candidatos

A chanceler alemã e candidata pela União Democrata-Cristã (CDU), Angela Merkel, votou hoje em Berlim nas eleições gerais. Debaixo de chuva, Merkel chegou pouco antes de 14h30 (9h30 em Brasília) no seu local de votação, na Universidade Humboldt de Berlim, acompanhada de seu marido, Joachim Sauer.

Enquanto milhares de atletas participavam da maratona de Berlim seguiam percorrendo as ruas da capital alemã, Merkel foi tranquila à cabine de votação antes de posar para dezenas de fotógrafos.

Algumas horas antes, seu principal adversário, Martin Schulz, líder do Partido Social-Democrata (SPD), foi às urnas em sua cidade natal Würselen, no oeste do país, acompanhado da esposa Inge. O social-democrata minimizou o resultado das pesquisas e se mostrou otimista, lembrando que havia ainda um grande número de eleitores indecisos.

Schulz convidou os cidadãos a votar para decidir o “futuro democrático” do país. Nas redes sociais, o também ex-presidente do parlamento europeu pedia o voto por uma “Alemanha mais justa e mais forte, e por uma Europa de paz e de solidariedade”.

O presidente da Alemanha, Frank-Walter Steinmeier, que também já votou, convocou a população a comparecer às zonas de votação para cumprir com seus deveres como cidadãos. “Quem não vota deixa que outros decidam sobre o futuro do nosso país”, afirmou Steinmeier.

Um dos primeiros candidatos a votar foi o líder do partido Os Verdes, Cem Özdemir, no multicultural bairro de Krezberg, em Berlim. As pesquisas indicam que Os Verdes terão 8% dos votos, apoio similar ao obtido quatro anos atrás.

Resultados

A aliança conservadora formada pela União Democrata-Cristã (CDU), da chanceler alemã Angela Merkel, ganhou no domingo as eleições com 33,5% dos votos, 12% a mais que o Partido Social Democrata (SPD), conforme a pesquisa de boca de urna feita pela emissora pública de TV ZDF. A ultradireitista Alternativa para a Alemanha (AfD) ficou em terceiro lugar, com 13%. O Partido Liberal estaria com 10%, conforme os números divulgados pela rede de TV no fechamento dos locais de votação, enquanto as legendas A Esquerda e Os Verdes empatariam, com 9%.

Estes resultados são muito parecidos aos do levantamento divulgado pelo canal ARD, que dá ao bloco conservador 32,5% dos votos, seguido do SPD, do ex-presidente do Parlamento Europeu Martin Schulz, com 20%, e da AfD, com 13,5%.

Caso as pesquisas sejam confirmadas, só existem duas opções de aliança de governo possíveis: a reedição da grande coalizão com os social-democratas, como a que Merkel liderou na última legislatura, ou um tripartido inédito a escala federal entre os aliados da chanceler, os Verdes e o Partido Liberal. Essas porcentagens representam o pior resultado do SPD em eleições gerais da sua história.

Os dois grandes partidos sofreram um claro retrocesso também com relação ao pleito de 2013, em que a União Democrata-Cristã e a sua irmanada União Social-Cristã da Baviera (CDU/CSU) obtiveram 41,5% e o SPD, 25,7%. A Esquerda foi terceira força, com 8,6%, enquanto Os Verdes obtiveram 8,4%. Tanto o Partido Liberal quanto a AfD, então um partido essencialmente eurocético, tinham ficado alguns décimos abaixo do mínimo necessário para ter representação parlamentar (5%).

Caso se confirme, o próximo Bundestag (parlamento alemão) contará com seis grupos e será o mais diverso quanto ao número de formações desde os anos 50.

Reações

Angela Merkel, admitiu que queria “um resultado melhor” (apesar de conseguir ser reeleita para um quarto mandato nas eleições gerais realizadas neste domingo) e se comprometeu a “reconquistar” o eleitor da ultradireitista Alternativa para a Alemanha (AfD).

“Atingimos o objetivo estratégico”, afirmou a líder conservadora, na sede da União Democrata-Cristã (CDU), destacando que nenhuma outra formação, fora a sua, poderá tentar formar uma coalizão de governo.

A aliança conservadora de Merkel impôs-se nas eleições gerais com 32,7% dos votos, 12% a mais que o Partido Social Democrata (SPD), conforme a pesquisa de boca de urna feita pela emissora pública de TV ZDF, enquanto a AfD ficou em terceiro lugar, com 13,4%.

Merkel adiantou que o seu partido fará uma “análise compreensiva” do que aconteceu e que tentará ganhar de volta os alemães que tradicionalmente votavam no seu bloco conservador e desta vez optaram pelos ultradireitistas. Segundo ela, a ideia é entender suas preocupações e seus medos, mas, principalmente, convencê-los com uma “boa política”.

Agora, conforme disse, a aliança buscará “conversas tranquilas” com “outros parceiros” para tentar formar uma coalizão de governo estável.

Fontes

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