EUA dizem que vão reter financiamento para desastres para estados que boicotam Israel
5 de agosto de 2025
Estados e territórios dos EUA que boicotarem empresas israelenses ou aquelas que operam nos territórios ocupados terão o financiamento federal negado para preparação para desastres naturais, informou a Reuters.
A Agência Federal de Gestão de Emergências (Fema) anunciou que disponibilizará quase US$ 1 bilhão aos estados para proteção contra desastres naturais, como inundações, tornados, furacões e incêndios, bem como ataques terroristas e interrupções cibernéticas.
Essa alocação de US$ 1 bilhão, que será aplicada a 15 programas de subsídios diferentes, faz parte dos "Avisos de Oportunidade de Financiamento, totalizando mais de US$ 2,2 bilhões, disponíveis para governos estaduais, locais, tribais e territoriais para ajudá-los a proteger cidadãos americanos", afirma a Fema em seu site.
No entanto, a Reuters informou que pelo menos US$ 1,9 bilhão desse financiamento estava condicionado ao cumprimento das condições estabelecidas pelo Departamento de Segurança Interna em abril pelos estados, afirmando que os estados não cortarão "relações comerciais especificamente com empresas israelenses ou empresas que fazem negócios em ou com Israel" para se qualificarem, de acordo com 11 avisos de subsídios da agência que analisou.
Mas a decisão é vista como amplamente simbólica. Mais de 30 estados dos EUA já têm leis que exigem que “entidades públicas certifiquem que não boicotam e não boicotarão Israel”, de acordo com um ensaio intitulado “Leis anti-BDS e a política de boicotes políticos” no Journal of Law and Social Change da Universidade da Pensilvânia.
Nos últimos meses, aumentaram os pedidos de boicote a empresas israelenses e internacionais que fazem negócios com Israel. Recentemente, a relatora especial da ONU para a Palestina, Francesca Albanese, pediu medidas após a publicação de um relatório contundente no qual cita mais de 60 empresas, incluindo grandes empresas de tecnologia como Google, Amazon e Microsoft, alegando seu envolvimento no que ela chama de "a transformação da economia de ocupação de Israel em uma economia de genocídio".
Albanese foi sancionada pelos EUA após a publicação do relatório.
Trata-se da mais recente escalada do governo Trump, criando resistência a instituições, departamentos ou estados que não se alinham com seus objetivos e prioridades, como sua abordagem linha-dura em relação à imigração ou questões como as mudanças climáticas.
Por exemplo, a declaração da FEMA (Federal Emergency Management Agency) estabeleceu que os beneficiários não poderão mais gastar os fundos "para abrigar imigrantes ilegais em hotéis de luxo, financiar projetos de interesse da mudança climática ou fortalecer organizações radicais com laços indecorosos que não atendem aos interesses do povo americano".
A declaração também acrescentou que os beneficiários são obrigados a gastar pelo menos 10% em “apoio à resposta e execução de crises na fronteira”.
Fontes
[editar | editar código]- ((en)) US says will withhold disaster funding to states boycotting Israel — IFP Media Wire, 5 de agosto de 2025
- ((en)) FEMA Will Deny Grants to States and Cities That Boycott Israeli Companies — The New York Times, 5 de agosto de 2025


