Dinheiro não declarado de Marcos Valério foi usado na campanha de Eduardo Azeredo, disse tesoureiro do PSDB

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Brasília - Depoimento do ex-tesoureiro de campanha de Eduardo Azeredo ao Governo de Minas, Claudio Mourão da Silveira para a CPI do Correios. Foto: Wilson Dias/ABr.

24 de outubro de 2005

Brasil

O tesoureiro Claudio Roberto Mourão da Silveira, disse quarta-feira passada (19) para a Sub-relatoria de Contratos da CPI dos Correios que o empresário Marcos Valério emprestou dinheiro para a campanha política de Eduardo Azeredo do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB) ao governo de Minas Gerais. Mourão disse que nem todo o dinheiro usado foi declarado à Justiça Eleitoral configurando o que no Brasil é conhecido como "caixa 2". Valério é suspeito de ser o principal operador do esquema conhecido como mensalão.

Mourão disse que usou o dinheiro de Marcos Valério para pagar o publicitário Duda Mendonça, que recebeu R$ 4,5 milhões pelos serviços prestados no período. Mourão disse que dessa quantia, informou à Justiça Eleitoral o pagamento de R$ 700 mil.

A CPI da Compra de Votos recebeu em agosto de Valério uma lista com 75 nomes de pessoas que supostamente teriam feito saques das contas de suas empresas, em 1998, época da campanha de Azeredo. O empresário disse que existe uma dívida contraída pelo PSDB que lhe rendeu um prejuízo de R$ 9 milhões e que não foi paga.

Claudio Roberto Mourão declarou para a CPI que recebeu um empréstimos de R$ 11 milhões de Valério para financiar a campanha de Azeredo. Segundo ele foram dois empréstimos: um de R$ 9 milhões e outro de R$ 2 milhões. Mourão disse que R$ 1 milhão da dívida foi pago a Valério, com recursos arrecadados legalmente.

"Durante um período tive uma contabilidade paralela, uma caixa 2. Oficializei parte do dinheiro que recebi do Marcos Valério com recurso de outro doador", disse Claudio Mourão.

Mourão afirmou para a CPI que o custo total da campanha de Azeredo foi R$ 20 milhões e que ele declarou ao Tribunal Regional Eleitoral somente R$ 8 milhões.

O tesoureiro disse que o senador Eduardo Azeredo (que perdeu a eleição para o governo de Minas) não sabia que foram usados recursos não declarados em sua campanha. Mourão disse que Azeredo só tomou conhecimento daquilo que ele fazia depois da campanha e que teria sido recriminado por isso. Além disso Azeredo teria dito, de acordo com Mourão, que não pagaria uma dívida que não reconhecia e que não tinha sido contabilizada.

O líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio comentou as declarações de Mourão: "Reconhecemos que houve problema na eleição de Minas Gerais em 1998, mas é um caso bem diferente da corrupção sistêmica promovida pelo atual governo. O caixa dois não pode ser usado como uma cortina de fumaça para quem roubou dinheiro público. Precisa ser avaliado separadamente."

O senador propôs a convocação de outros tesoureiros, do Partido dos Trabalhadores: "Se vamos investigar seriamente caixa 2, é necessário convocar para depor nessa sub-relatoria a ser criada os tesoureiros do PT, cerca de 18, apontados por Marcos Valério como beneficiários do esquema de caixa dois do partido."

O sub-relator sobre Contratos da CPI dos Correios, deputado José Eduardo Cardoso (Partido dos Trabalhadores-São Paulo) disse que o "objetivo não é fazer uma comparação entre PT e PSDB. Se há corrupção, ela precisa ser combatida. E é muito importante saber como o corruptor age."

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