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Dentes fósseis de mamíferos revelam segredo para sobreviver às mudanças climáticas

De Wikinotícias

25 de outubro de 2025

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Em um novo estudo publicado na revista Science Advances, uma equipe liderada pelo Instituto Max Planck de Geoantropologia descreve como a flexibilidade teria sido um fator decisivo sobre se um animal teria vivido ou morrido.

A equipe analisou dentes fósseis do Laos e do Vietnã e os usou para reconstruir as dietas e ambientes de vida de espécies extintas, extirpadas e ainda vivas. Os resultados mostraram que animais com dieta e habitat variados tinham maior probabilidade de sobreviver, enquanto aqueles que eram especialistas estreitos teriam maior probabilidade de se extinguir.

Eles examinaram 141 dentes de 150.000 a 13.000 anos atrás e depois combinaram os resultados com os dados existentes. Eles mediram os isótopos estáveis de carbono, oxigênio, nitrogênio e zinco para entender as respostas dietéticas a quaisquer mudanças ambientais.

"Ao analisar traços químicos no esmalte dos dentes, podemos reunir dietas e ambientes antigos em detalhes notáveis", disse o principal autor, Dr. Nicolas Bourgon. "A comparação de espécies ao longo do tempo mostra por que algumas sobreviveram enquanto outras desapareceram."

Macacos, javalis e veados sambar eram mais adaptáveis, pois tinham amplas faixas isotópicas, enquanto especialistas como antas, rinocerontes e orangotangos estavam ligados a habitats mais específicos. Quando os ambientes mudaram, os generalistas resistiram, mas os especialistas ficaram vulneráveis.

Os orangotangos, que vivem em Sumatra e Bornéu, já se espalharam pelo sudeste da Ásia. Os resultados dos isótopos sugerem que eles dependiam de frutas específicas de florestas de dossel fechadas, e isso não mudou mesmo quando confrontados com mudanças ambientais.

"Embora os orangotangos modernos possam recorrer a alimentos alternativos em tempos difíceis, sua sobrevivência ainda depende de florestas intactas", disse o Dr. Nguyen Thi Mai Huong, co-autor do Departamento Antropológico e Paleoambiental do Instituto de Arqueologia do Vietnã. "Parece que isso é verdade há dezenas de milhares de anos."

O Sudeste Asiático enfrenta atualmente um dos desmatamentos mais rápidos do mundo, causando preocupação com o futuro. "Entender como as espécies lidaram com pressões antigas ajuda a prever sua resiliência hoje", disse o autor sênior Prof. Patrick Roberts, do Instituto Max Planck.

Este estudo destaca a necessidade de esforços de conservação em condições ecológicas, não apenas para as espécies que os necessitam.

"Trata-se de mais do que apenas animais antigos", concluiu Bourgon. "Trata-se de aprender com o passado para proteger o futuro."

Fontes