Cristina Kirchner toma posse como presidenta da Argentina para mais quatro anos de mandato

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Agência Brasil

10 de dezembro de 2011

Buenos Aires, Argentina

Cristina Kirchner tomou posse hoje como presidenta reeleita da Argentina. Em seu discurso de pouco mais de uma hora de duração, agradeceu aos argentinos que “acreditaram no projeto coletivo” que liderará nos próximos quatro anos e assegurou que continuará “trabalhando com todos e por todos sem deixar as convicções [de lado]”.

Cristina também assegurou que não é a “presidenta das corporações”, mas de “40 milhões de argentinos e que em seu governo “há o direito de greve, mas não de chantagem e extorsão”.

Em seu discurso, destacou o desenvolvimento econômico e social alcançado desde 2003 e se lembrou emocionada de seu marido, o ex-presidente Néstor Kirchner, que morreu no ano passado.

Kirchner anunciou a criação de uma Secretaria de Comércio Exterior no âmbito do Ministério da Economia, que funcionará junto com a Secretaria de Comércio Interior.

A presidenta recém-empossada também pediu que o Poder Judiciário de seu país acelere o julgamento de causas de violação de direitos humanos durante a ditadura militar. “O que peço à Justiça de meu país é que o próximo presidente possa virar a página trágica de nossa história”.

Ela ainda agradeceu a todos os argentinos que acreditaram em seu projeto “coletivo, nacional, popular e profundamente democrático”.

Cristina Kirchner[editar]

Primeira mulher eleita e reeleita presidenta da Argentina, Cristina Kirchner assume hoje (10) o seu segundo mandato de quatro anos. Ela conta com o apoio da maioria do Congresso e do eleitorado. Na eleição do dia 23 de outubro, obteve 54% dos votos – mais do que todos os presidentes que governaram nos últimos 28 anos de democracia.

Cristina deve sua vitória ao bom desempenho da economia e à fragmentação da oposição. Ela sucedeu o marido, Nestor Kirchner, que morreu no ano passado. Ele foi eleito em 2003 com apenas 22% dos votos. Na época, a Argentina saía de uma das piores crises econômicas e políticas de sua história, parecida com a crise que hoje atinge a Europa. O país aguentou anos de recessão e de acordos jamais cumpridos com o Fundo Monetário Internacional (FMI), antes de decretar a moratória da dívida externa e desvalorizar o peso.

Desde 2003, a economia argentina tem crescido em média 7% ao ano, graças em parte ao aumento dos preços do petróleo e de produtos agrícolas, como a soja. Mas o terceiro governo kirchnerista enfrenta hoje novos desafios. O principal é equilibrar as contas em meio a uma crise econômica internacional.

“Cristina Kirchner enfrenta hoje uma conjuntura econômica diferente daquela que encontrou quando foi eleita pela primeira vez”, disse o analista político Rosendo Fraga, em entrevista à Agência Brasil.

A economia e as exportações da Argentina continuam crescendo. Mas, no primeiro governo de Cristina, os gastos públicos também subiram. “Desde 2007, aumentaram 30% ao ano”, disse à Agência Brasil o economista Fausto Spotorno. Com isso, a Argentina, que tinha um superávit fiscal, hoje é deficitária.

Após ter sido reeleita, Cristina anunciou medidas para enxugar a economia e frear a saída de dólares do país. Ela manteve os programas de ajuda social, mas cortou os subsídios do governo que beneficiavam, além dos pobres, empresas e consumidores das classes média e alta.

Desde a crise de 2001, o governo congelou as tarifas de gás, luz e água, cobradas dos consumidores. Os aumentos das empresas eram financiados pelo Estado argentino. A partir de janeiro, não serão mais. Quem quiser se beneficiar dos subsídios terá que provar para a Afip (a Receita Federal argentina) que não está em condições de pagar suas contas.

O governo também impôs novos controles ao câmbio. Os argentinos que quiserem comprar dólares terão que pedir permissão ao Fisco e provar que têm em volume suficiente pesos declarados para realizar a operação. Na Argentina, essa medida tem um impacto grande: muitas pessoas estão acostumadas a poupar em dólares, e a guardá-los fora do sistema financeiro, para se protegerem das eventuais crises.

Além de enfrentar um panorama de crise mundial, Cristina Kirchner tem um desafio político pela frente: controlar os sindicatos, aliados ao governo. Eles pedem aumentos salariais de mais de 20% (índice de inflação das consultoras privadas, que representam o dobro do oficial). Os sindicalistas também querem pagar menos impostos e uma participação nos lucros das empresas. Cristina já disse que não cederá – uma decisão que foi bem acolhida pelo empresariado.

“Cristina manteve o discurso: quer que os empresários invistam mais no país. Mas deu um basta às reivindicações dos sindicatos, algo que os empresários interpretaram como positivo”, disse Rosendo Fraga.

Presidentes de vários países estarão presentes na segunda posse de Cristina Kirchner, entre eles Dilma Rousseff, que desembarcou em Buenos Aires ontem (9) à noite. Hoje, antes da cerimônia de posse, a presidenta brasileira terá um encontro com o presidente de Honduras, Porfírio Lobo. Na agenda, o interesse de empresas do Brasil de participar de obras de infraestrutura e a cooperação brasileira em programas sociais hondurenhos.

Fontes[editar]

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