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Críticas aos Estados Unidos dominam reunião do Conselho de Segurança da ONU

De Wikinotícias

5 de janeiro de 2026

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Nessa segunda (5), as críticas aos Estados Unidos predominam na reunião do Conselho de Segurança da ONU, com Rússia, China e aliados tradicionais dos Estados Unidos condenando e questionando a legitimidade das ações americanas na Venezuela. "Meios não justificam os fins", afirma embaixador brasileiro. A reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU, convocada em resposta ao ataque sem precedentes dos Estados Unidos à Venezuela, permitiu que tanto opositores quanto aliados de Washington expressassem sua oposição à ação militar americana, que culminou na prisão do líder Nicolás Maduro no último sábado.

Diante do órgão mais influente da ONU, representantes de diversos países, entre eles Brasil, México, Espanha, China, Rússia e África do Sul, condenaram veementemente a intervenção aprovada pelo presidente americano Donald Trump no país sul-americano, além de seus comentários recentes que indicam a possibilidade de ampliar as operações militares dos Estados Unidos para nações como Colômbia, Cuba e México, sob a justificativa de combater o tráfico de drogas.

Samuel Moncada, embaixador da Venezuela, denunciou ao Conselho de Segurança o que considerou uma "flagrante violação" da Carta da ONU e do direito internacional por parte dos Estados Unidos, em decorrência dos ataques ao território venezuelano. "Solicitamos, antes de mais nada, que o governo dos Estados Unidos da América seja obrigado a respeitar integralmente as imunidades do presidente Nicolás Maduro e da primeira-dama, Cilia Flores, bem como sua libertação imediata e retorno seguro à Venezuela", afirmou Moncada durante a sessão de emergência do principal órgão da ONU.

A Colômbia, país vizinho da Venezuela, comparou a operação americana a uma "pior interferência em nossa região no passado". "A democracia não pode ser defendida ou promovida por meio da violência e da coerção, nem pode ser suplantada por interesses econômicos", afirmou o embaixador colombiano. China e Rússia, os principais opositores da política externa americana – ambos membros permanentes do Conselho de Segurança – solicitaram que o órgão da ONU se unisse para repudiar o retorno dos Estados Unidos a uma "era de anarquia".

Na segunda-feira, vários países, incluindo Brasil, China, Colômbia, Cuba, Eritreia, México, Rússia, África do Sul e Espanha, condenaram a decisão de Donald Trump de realizar ataques letais contra a Venezuela e prender seu líder, Nicolás Maduro, e sua esposa, Cilia Flores, para serem processados nos Estados Unidos.

"Os bombardeios em território venezuelano e a prisão de seu presidente ultrapassam uma linha inaceitável", afirmou Sérgio França Danese, embaixador brasileiro na ONU, durante o encontro, e que "esses atos constituem uma afronta gravíssima à soberania da Venezuela e estabelecem um precedente extremamente perigoso para toda a comunidade internacional".

Mike Waltz, embaixador de Trump na ONU, justificou o ataque como uma medida legítima de "aplicação da lei" para cumprir acusações criminais antigas contra um líder "ilegítimo", não caracterizando-o como um ato de guerra.

A reunião em Nova Iorque foi agendada poucas horas antes de Maduro se apresentar a um juiz federal em Manhattan, enfrentando acusações que incluem conspiração para "narcoterrorismo", importação de cocaína e tráfico de armas – acusações que ele vem negando há bastante tempo.

Antonio Guterres, o secretário-geral da ONU, advertiu que a prisão de Maduro poderia aumentar a instabilidade tanto na Venezuela quanto em toda a região. Ele indagou se a operação estava em conformidade com as normas do direito internacional.