Covid-19: por que a vacina de Oxford-AstraZeneca é agora a candidata que pode virar o jogo?

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24 de novembro de 2020

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Por Michael Head para o The Conversation

No longo túnel escuro de 2020, novembro se destaca como o mês em que a luz apareceu. Alguns podem vê-la como uma luz brilhante, outros como uma luz fraca - mas é inequivocamente uma luz.

Em 9 de novembro a Pfizer anunciou os resultados provisórios de sua vacina candidata a prevenir a Covid-19, mostrando que ela era “mais de 90% eficaz” na prevenção da Covid-19 após testes em humanos. A notícia foi recebida com alegria.

Um par de dias depois, o Fundo de Investimento Direto russo anunciou que a vacina candidata que eles estão financiando - chamada Sputnik V - mostrou ter eficácia de 92% em testes de fase final. Para não ficar atrás, a Moderna anunciou então que sua vacina candidata apresentava 94,5% de eficácia.

O último anúncio da vacina da Universidade de Oxford - e como aconteceu com todos os anúncios acima - veio via comunicado à imprensa. Sua vacina candidata, desenvolvida em parceria com a AstraZeneca, apresentou eficácia geral de 70,4%.

Caso isso pareça decepcionante, tenha em mente que esses resultados são provisórios e os números podem mudar. Além disso, a vacina de Oxford foi administrada a um grupo de voluntários como duas doses padrão, que mostraram 62% de eficácia, e em outro grupo de voluntários como uma dose menor seguida por uma segunda dose padrão - e isso aumentou a eficácia para 90%.

Não está imediatamente claro por que isto aconteceu. O professor Andrew Pollard, um dos principais pesquisadores do projeto, descreveu os resultados como “intrigantes” . Ele também destacou que o uso de doses menores significa que haveria mais doses de vacina disponíveis.

Não houve nenhum caso de Covid grave nos que receberam a vacina e ela parece gerar uma resposta imunológica protetora em pessoas mais velhas, embora tenhamos que esperar pela análise final dos resultados para obter dados mais claros sobre isso.

A eficácia não é a única medida

Apesar da vacina Oxford ter uma eficácia geral menor do que as vacinas Pfizer ou Moderna - pelo menos neste estágio intermediário - existem outros fatores de sucesso a serem considerados. A segurança é uma delas e a vacina Oxford tem até agora, segundo relatórios, um bom histórico de segurança, sem efeitos colaterais graves.

Outro fator crucial é o armazenamento. A vacina de Oxford pode ser armazenada em geladeira doméstica. A necessidade de congelamento durante toda a jornada da vacina da fábrica à clínica em temperaturas ultrabaixas - como visto com a vacina da Pfizer - pode ser um problema para muitos países, especialmente para os países mais pobres.

A vacina de Oxford, baseada em um vetor viral, também é mais barata (cerca de US$ 4,00) do que as vacinas de mRNA da Pfizer e da Moderna - cerca de US$ 20,00 e US$ 33,00 respectivamente. A AstraZeneca fez uma “promessa de que não obteria lucro”.

Distribuição equitativa

Como já discuti anteriormente, a distribuição equitativa de novas vacinas é vital, especialmente para países de renda baixa e média que não têm o perfil ou o poder de compra dos países mais ricos. A GAVI - uma parceria global de saúde que visa aumentar o acesso à imunização em países pobres - trabalha há anos para resolver esse ponto e criou a iniciativa COVAX em 2020, que garantirá acesso a 700 milhões de doses da vacina anti-Covid se os testes clínicos forem bem-sucedidos.

Oxford e AstraZeneca já se comprometeram a fornecer um bilhão de doses de sua vacina para países de baixa e média renda, com o compromisso de fornecer 400 milhões de doses antes do final de 2020. Certamente, a AstraZeneca se comprometeu a fornecer mais doses para países fora da Europa e dos EUA do que qualquer um de seus concorrentes mais próximos.

Um excelente começo

Esses compromissos claramente não serão suficientes para uma cobertura global imediata, mas é um excelente começo. Cerca de 9% da população mundial vive em extrema pobreza e os sistemas de saúde ao seu redor são frágeis. Com promessas de distribuição equitativa de vacinas, há esperança de que as populações mais pobres em todo o mundo não sejam esquecidas. A comunidade global de saúde deve manter seu foco nesta área.

O que esse anúncio significa para o mundo? Potencialmente, uma algo enorme.

Mas lembre-se de que os testes ainda não foram concluídos e, no momento da redação deste texto, os reguladores ainda não haviam aprovado nenhuma das novas vacinas candidatas. Mesmo quando esses obstáculos forem superados, ainda precisamos vacinar o mundo, o que requer navegar com sucesso pelos complexos obstáculos da distância, política, logística e comportamento humano.

A pandemia global não acabou e ainda não terminará por muito tempo - mas a luz está ficando mais brilhante.

Michael Head é pesquisador sênior em Saúde Global na University of Southampton


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