Covid-19: no dia em que Brasil chega a 500 mil mortes, ministro das Comunicações Fábio Faria fala em comemorar curados

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19 de junho de 2021

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Esta tarde, pouco antes do Conass (Conselho Nacional dos Secretários de Saúde) confirmar que o Brasil chegava a mais de 500 mil mortes por covid-19, o ministro da Comunicações Fábio Faria usou o Twitter para postar que "em breve vcs verão políticos, artistas e jornalistas “lamentando” o número de 500 mil mortos. Nunca os verão comemorar os 86 milhões de doses aplicadas ou os 18 milhões de curados, porque o tom é sempre o do “quanto pior, melhor”. Infelizmente, eles torcem pelo vírus".

Em outras duas postagens, ele também tentou isentar o governo Bolsonaro de qualquer responsabilidade pela gravidade da situação. "100 mil de mortes no estado de SP, silêncio sepulcral. Quando esses números dos estados se somam e se chega a um número nacional, estardalhaço. Lembremos q os estados e municípios tinham e têm total autonomia nas medidas da Covid. Perdi um tio no mês passado e vários amigos".

No entanto, apesar da autonomia, Bolsonaro sempre criticou as medidas mais enérgicas adotadas pelos governadores, como os lockdowns. Além disto, diversas vezes provocou aglomerações e defendeu o uso de medicamentos sem eficácia contra a doença, como a cloroquina. Bolsonaro tampouco é um grande incentivador da vacinação, já tendo chamado a Coronavac, depreciativamente, de "vaChina", e dito que não se vacinaria, fazendo menção a possibilidade de reações graves. Sua fala "se você virar um jacaré, o problema é seu" até virou meme nas redes sociais.

Ainda em dezembro passado, o presidente do Conselho Nacional de Saúde (CNS), Fernando Pigatto, disse para a ANSA que Bolsonaro havia sido um "mau exemplo", ignorando recomendações científicas para controle da covid-19. Já Natalia Pasternak, microbiologista da USP, disse dias atrás durante a CPI da Covid que "não se trata de ignorância inocente. É mentir em nome da agenda política. Quando Jair Bolsonaro nega a Ciência, nega o direito à vida dos brasileiros”.

A médica epidemiologista Denise Garrett, que já trabalhou no CDC (Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos), respondeu ao ministro no Twitter. "Sr Fábio Faria, vou explicar pq não comemoramos 16.1 milhões de curados (não são 18): a taxa de sobrevida da COVID é cerca de 99%. Então, não é mérito nenhum termos mtos recuperados. É apenas a evolução natural da doença. Mas no BR é pior. Nossa taxa de sobrevida é apenas ~97.2%. Ou seja, no lugar de morrerem a média esperada de 1%, morrem 2.8%! Nossa letalidade (mortes entre casos) é + alta q a esperada e q a de vários países. Com o número tão alto de casos q temos, teríamos que ter mto mais recuperados do q os 16.1 M q o seu Gov se gaba ter. Sem falar, Sr Fábio Faria, q entre os 16.1 milhões q o Sr insiste em celebrar, ~9% dos q não tinham nenhuma comorbidade precisaram de hospitalização, 2% em UTI. Dos c pelo menos uma comorbidade, ~40% precisaram de hospitalização, 13% em uma UTI. Por último, Sr Fábio Faria, 3 em cada 4 dos 16.1 milhões de recuperados têm sintomas persistentes por 2-8 meses. Mtos terão sequelas graves e debilitantes por toda sua vida. E nem mencionei toda a dor envolvida, doentes e familiares, porque esperar empatia seria pedir mto. Portanto, Sr Fábio Faria, não há nada a celebrar. O que nos resta é lamentar, e lamentamos muito, o meio milhão de vidas perdidas — muitas delas desnecessariamente, se o seu Governo tivesse cumprido o seu papel".

As postagens do ministro fizeram com que o termo "Fabio Faria" acabasse nos topic trends do Twitter, com mais 2.077 menções pelas 20 horas desta noite.

Relembre algumas falas polêmicas de Bolsonaro sobre a covid

Março de 2020: "O número de pessoas que morreram de H1N1 é na ordem de 800 pessoas. A previsão é não chegar a essa quantidade de óbitos no tocante ao coronavírus."

Março de 2020: "Pelo meu histórico de atleta, caso fosse contaminado pelo vírus, não precisaria me preocupar, nada sentiria ou seria acometido, quando muito, de uma gripezinha ou resfriadinho, como bem disse aquele conhecido médico, daquela conhecida televisão."

Março de 2020: "O brasileiro tem que ser estudado. Ele não pega nada. Você vê o cara pulando em esgoto [...] e não acontece nada com ele. Eu acho até que muita gente já foi infectada no Brasil, há poucas semanas ou meses, e ele já tem anticorpos que ajudam a não proliferar isso daí."

Abril de 2020: "Sou católico, e minha esposa, evangélica. É um pedido dessas pessoas. Estou pedindo um dia de jejum para quem tem fé. Então, a gente vai, brevemente, com os pastores, padres e religiosos, anunciar. Pedir um dia de jejum para todo o povo brasileiro, em nome, obviamente, de que o Brasil fique livre desse mal o mais rápido possível."

Maio de 2020: "Toma quem quiser, quem não quiser, não toma. Quem é de direita toma cloroquina. Quem é de esquerda toma Tubaína."

Novembro de 2020: "Tem que acabar com esse negócio. Lamento os mortos, todos nós vamos morrer um dia. Não adianta fugir disso, fugir da realidade, tem que deixar de ser um país de maricas."

Dezembro de 2020: "Eu não posso falar como cidadão uma coisa e como presidente outra. Mas como eu nunca fugi da verdade, eu te digo: eu não vou tomar vacina. E ponto final."

Dezembro de 2020: "Na Pfizer, está bem claro no contrato: 'nós não nos responsabilizamos por qualquer efeito colateral'. Se você virar um jacaré, é problema de você. Não vou falar outro bicho aqui para não falar besteira. Se você virar o super-homem, se nascer barba em alguma mulher aí ou um homem começar a falar fino, eles não têm nada a ver com isso."

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Fontes